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São Paulo ganha novo navio de pesquisa

Publicado em 31 maio 2012

Por GIULIANA MIRANDA, da Folha, enviada especial a Santos

Após quatro anos, a pesquisa oceanográfica de São Paulo volta a ter um navio para chamar de seu. Batizado de Alpha Crucis -a estrela da constelação do Cruzeiro do Sul que representa o Estado na bandeira do Brasil-, ele foi apresentado ontem no porto de Santos.

A embarcação foi comprada em uma ação conjunta da USP e da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e levou 15 meses para ser reformada e equipada. Todo o processo custou US$ 11 milhões.

Com 64 m de comprimento, 11 m de de largura e média de 40 dias de autonomia no mar, a embarcação retoma as pesquisas interrompidas com a aposentadoria do navio Professor W. Besnard, em 2008.

Mesmo antes de encerrar suas operações, o Besnard já oferecia limitações. Por questões de segurança, não podia ir além de 370 km de distância da costa brasileira.

"É uma nova era para as pesquisas. Os equipamentos estão novinhos, tudo perfeito", afirma Luiz Vianna Nonato, do IO (Instituto Oceanográfico) da USP.

O navio tem sistema de estabilização que permite que ele fique parado ou siga uma linha reta sem interrupções. Isso é útil em estudos que requerem obedecer uma rota extremamente precisa.

Além disso, o navio tem ainda scanners e outros equipamentos que possibilitam uma varredura do fundo do mar, ajudando trabalhos sobre relevo, biodiversidade, petróleo e outros temas.

RECAUCHUTADO

O Alpha Crucis já soma 39 anos em operação. Antes de chegar ao Brasil, ele pertenceu à Noaa (agência nacional de oceanos dos EUA) e à Universidade do Havaí. "Mas o navio está em excelentes condições. Além de ter sido extremamente bem cuidado, ele sofreu uma grande reforma antes de chegar até nós", avaliou Nonato.

Antes de bater o martelo, a equipe visitou 18 outros navios. "Precisava ser um equipamento funcional e em condições de ser reformado para fazer pesquisa de ponta, mas ainda com um preço acessível", explica Michel Mahiques, diretor do IO-USP.

O Alpha Crucis deve zarpar para sua primeira missão (um projeto da USP sobre fluxos de carbono na costa brasileira) no segundo semestre. Outras duas saídas estão programadas para 2012.

O navio também estará aberto a receber cientistas de outras instituições, que deverão submeter suas propostas a uma comissão científica.

"A operação do navio é cara [cerca de US$ 15 mil por dia no mar]. Então, a seleção, é claro, será bastante criteriosa. Mas nós estamos abertos", explica Mahiques.

Com quatro laboratórios, sala de estar, miniacademia e até churrasqueira, o navio poderá receber (dependendo da configuração) cerca de 40 pessoas, 18 delas tripulantes.

O objetivo é que, além dos cientistas-chefes, as missões sejam sempre acompanhadas por alunos da USP.

TIETES

Muitos dos estudantes de oceanografia da USP entraram na faculdade quando a universidade já estava sem barco. Ontem, ao visitar o Alpha Crucis, eles não disfarçavam a ansiedade.

Com câmeras em punho, muitos já faziam planos para navegar.

BARCO 2
Além do novo navio, um barco de porte menor, novinho em folha, também entrará em operação em breve. Com 27 metros, o Alpha Delphini está sendo construído em um estaleiro do Ceará e deve ficar pronto em setembro.

Primeira embarcação do gênero totalmente construída no Brasil, ela custou R$ 4,75 milhões. Os recursos são da Fapesp e da USP.

O Alpha Delplhini pode transportar até 12 pesquisadores e seis tripulantes, com autonomia de dez a 15 dias, dependendo do número de pessoas. Ele será usado em pesquisas mais próximas da costa.