Notícia

A Folha (São Carlos, SP)

São Paulo ganha mapa da juventude

Publicado em 06 maio 2004

Por Por Kárin Fusaro
Agência FAPESP - Saber onde vivem os jovens, quais os seus gostos e objetivos são dados fundamentais para a elaboração de políticas públicas. Com essa premissa, pesquisadores do Centro de Estudos da Cultura Contemporânea (Cedec) fizeram um mapeamento da presença juvenil na cidade de São Paulo. O Mapa da Juventude, encomendado pela prefeitura do município, pretendeu verificar homogeneidades e segregações dos jovens no espaço urbano paulistano. A pesquisa ouviu pessoas entre 15 e 24 anos nos mais diversos bairros da capital em 2003. Os resultados do estudo foram apresentados no artigo A construção do mapa da juventude de São Paulo, da Lua Nova: Revista de Cultura e Política, publicação do Cedec. As autoras foram Aylene Bousquat, que também é professora do programa de pós-graduação em Saúde Coletiva da Universidade Católica de Santos, e Amélia Cohn, professora do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. A primeira etapa da pesquisa consistiu na divisão de São Paulo em cinco grandes áreas, agrupando os 96 distritos administrativos nas chamadas Zonas Homogêneas (ZH). O intuito foi elaborar o Indicador Composto Juvenil (ICJ), uma espécie de ranking que leva em conta as condições de vida da população nos diferentes bairros. O indicador teve como referência variáveis de pesquisas feitas anteriormente, por instituições como a Fundação Seade e o próprio Cedec, sobre vulnerabilidade juvenil, exclusão social e risco de violência. Com as médias definidas, os distritos foram classificados por zonas de 1 a 5. Da ZH1 fazem parte aqueles que oferecem melhores condições de vida para os jovens e, da ZH5, os piores. Em cada ZH foram sorteados 70 setores censitários e, dentro deles, duas quadras residenciais — a primeira para visita e coleta de dados e a segunda como substituição para casos em que não fosse possível a abordagem na quadra anterior. No total foram visitados 5.250 domicílios e aplicados 2.259 questionários. A amostra considerou interesse de 50% e margem de erro de 5%. Os jovens responderam a perguntas sobre caracterização (idade, cor, sexo, local de moradia e naturalidade), situação familiar (com quem mora, estado civil e filhos), escolaridade, inserção no mercado de trabalho, atividades de lazer (locais que freqüenta, preferências musicais, uso de equipamentos públicos), acesso à internet, participação em grupos e expectativas de atividades e equipamentos em seu bairro. Eles mostraram também o quanto estão informados sobre a aids. Os cinco distritos com valores mais elevados do ICJ foram Jardim Paulista, Moema, Pinheiros, Itaim Bibi e Consolação. Do outro lado da lista, Parelheiros aparece com o pior indicador, seguido por Grajaú, Jardim Ângela, Cidade Tiradentes e Iguatemi. A pesquisa mostrou também que a maioria dos entrevistados se identificou como sendo de cor "branca" (51,9%). Porém, na distribuição segundo ZH, aumentou expressivamente o número de jovens que se classifica como "preto/negro/pardo" nas zonas de maior exclusão social. A porcentagem de pais e mães cresce conforme piora a classificação da zona. Comparando os extremos, na ZH1 2,6% das pessoas responderam afirmativamente quando perguntadas se tinham filhos. Já na ZH5, o número foi de 17,8%. Quanto à inserção do jovem no mercado de trabalho, 33,2% dos entrevistados disseram que trabalham. A ZH1 foi a que apresentou mais jovens inseridos — 43,6% contra 31,9% na ZH5 — o que, segundo as autoras, pode indicar que os empregadores têm exigido mais qualificações. Quando o assunto é inserção no mundo digital, o trabalho constatou que apenas 38,2% dos jovens têm acesso à internet. A diferença é grande entre as zonas. Enquanto 72,4% dos entrevistados na ZH1 utilizam a internet, 24,1% têm a mesma oportunidade na ZH5. "O Mapa da Juventude deverá servir para o desenvolvimento de políticas públicas que favoreçam as áreas menos privilegiadas da cidade", disse Aylene à Agência FAPESP. Segundo a pesquisadora do Cedec, entre as ações estão a instalação de centros com acesso à internet e quadras desportivas nas regiões periféricas de São Paulo. Fundado em 1976, o Cedec é uma entidade civil sem fins lucrativos que se dedica ao estudo de problemas da realidade brasileira e tem contado com apoio de agências de financiamento e órgãos governamentais, como o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, a Financiadora de Estudos e Projetos e a FAPESP. Para ler o artigo, disponível na biblioteca eletrônica SciELO (Bireme/ FAPESP), clique aqui. "Extraído do site http://www.agencia.fapesp.br/