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São Paulo é a única cidade da América Latina no ranking da ciência de alto impacto mundial

Publicado em 06 outubro 2021

Por Elton Alisson | Agência FAPESP

O Nature Index Science Cities, um suplemento do grupo Nature focado em identificar as cidades que mais contribuem com pesquisas para a ciência de impacto mundial, acaba de divulgar o ranking de 2021. Liderada por Pequim (China), a lista conta com apenas uma cidade da América Latina: São Paulo.

Na edição anterior, a capital paulista estava na 172ª posição no ranking, que é composto por 200 cidades. Agora, São Paulo saltou para a 139ª colocação.

Painéis solares no Parque Villa Lobos, em São Paulo. Cidade foi reconhecida como a que mais contribuiu para a ciência de alto impacto mundial entre todas da América Latina. Imagem: ADVTP – Shutterstock

“Acreditamos que o investimento em longo prazo é crucial para a ciência. São Paulo é uma cidade que, apesar de qualquer mudança que possa ocorrer no cenário político ou econômico, sempre manteve como prioridade o investimento em ciência e tecnologia por meio da FAPESP, uma das maiores financiadoras da ciência no país, além do apoio federal”, declarou Adiene Teixeira, diretora de vendas para América Latina e Caribe da editora Springer Nature, destacando a atuação da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo.

“Atribuímos também [a presença de São Paulo no ranking ao investimento feito por meio do portal de periódicos Capes, um dos maiores consórcios mundiais para acesso à informação científica. O acesso à informação é um dos pilares importantes do quebra-cabeça da produção científica de alto impacto”, completou.

De acordo com a organização, o ranking é baseado nas afiliações institucionais dos autores de artigos publicados em 82 periódicos científicos de alto impacto internacional monitorados pelo Nature Index, incluindo as revistas Nature, Science e Cell.

Os periódicos foram selecionados por comitês independentes de pesquisadores líderes em ciências naturais, que foram solicitados a indicar os veículos nos quais gostariam de publicar seus melhores trabalhos. Suas deliberações foram validadas por uma pesquisa com mais de 6 mil cientistas em todo o mundo.

Estudos voltados para o controle da pandemia de Covid-19 podem ter contribuído com a boa colocação de São Paulo no ranking. Imagem: PhotoConceptum – Shutterstock

Segundo a Agência FAPESP, a atual edição da lista cobre artigos publicados entre 1º de janeiro de 2015 e 31 de dezembro de 2020, abrangendo o início da pandemia de Covid-19. A participação de cada cidade é calculada somando a contribuição das instituições afiliadas nelas situadas.

“Acreditamos que vários fatores podem estar envolvidos na melhoria da colocação de São Paulo na lista, como maior quantidade de estudos por conta da Covid-19 e o aumento da produção científica em revistas de alto impacto, dentre outras questões que podem ser exploradas em detalhes pelos estudiosos em bibliometria, que são os reais especialistas nesses tipos de estudos”, afirma Teixeira.

Pelo quarto ano consecutivo, a cidade de Pequim lidera o ranking, seguida por Nova York, Boston, San Francisco e Xangai.

Também foram ranqueadas as cidades que mais contribuições deram para que sejam atingidos os 17 ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável determinados pela Organização das Nações Unidas – ONU), com base no rastreamento de pesquisas publicadas nos 82 periódicos monitorados pelo Nature Index.

São Paulo também foi a única cidade latino-americana a entrar nesse ranking, ocupando a 141ª posição. Pequim novamente liderou a lista, seguida por San Francisco, Nova York, Baltimore e Boston.

“Grandes instituições de pesquisa federais, além das principais universidades do país, estão localizadas em São Paulo. E elas acabam recebendo a atribuição de desenvolver pesquisas importantes sobre os temas relacionados aos ODS”, avalia Teixeira.