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Revista Amazônia

São Paulo avança no ranking das cidades que mais contribuem para a ciência de alto impacto mundial

Publicado em 06 outubro 2021

Por Elton Alisson | Agência FAPESP

A cidade de São Paulo subiu 33 posições no Nature Index Science Cities – um suplemento do grupo Nature voltado a identificar as cidades que estão dando mais contribuições para a ciência de alto impacto no mundo.

Na edição de 2020, a capital paulista ocupou a 172ª posição no ranking, composto por 200 cidades. Na edição de 2021, saltou para a 139ª colocação e é a única cidade latino-americana a figurar na lista.

“Fazer ciência é uma atividade que antecede o aspecto de se fazer ciência de impacto e relevância. Em ambos os casos não é algo que se estabelece da noite para o dia. Requer décadas de investimento continuado e uma orientação estratégica para isso. Neste sentido, a FAPESP vem consistentemente apoiando pesquisas de maior ousadia, primeiro com os Projetos Temáticos e depois com os programas CEPID e Jovem Pesquisador. E em um passado mais recente vem sistematicamente alinhando suas ações aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável [ODS] da Organização das Nações Unidas [ONU]. É muito bom ver os frutos dessa ação de longo prazo”, comenta Luiz Eugênio Mello, diretor científico da FAPESP.

“Acreditamos que o investimento em longo prazo é crucial para a ciência. São Paulo é uma cidade que, apesar de qualquer mudança que possa ocorrer no cenário político ou econômico, sempre manteve como prioridade o investimento em ciência e tecnologia por meio da FAPESP, uma das maiores financiadoras da ciência no país, além do apoio federal”, diz Adiene Teixeira, diretora de vendas para América Latina e Caribe da editora Springer Nature.

“Atribuímos também [a presença de São Paulo no ranking] ao investimento feito por meio do portal de periódicos Capes, um dos maiores consórcios mundiais para acesso à informação científica. O acesso à informação é um dos pilares importantes do quebra-cabeça da produção científica de alto impacto”, avalia Teixeira.

O ranking é baseado nas afiliações institucionais dos autores de artigos publicados em 82 periódicos científicos de alto impacto internacional monitorados pelo Nature Index, incluindo as revistas Nature, Science e Cell. Os periódicos foram selecionados por comitês independentes de pesquisadores líderes em ciências naturais, que foram solicitados a indicar os periódicos nos quais gostariam de publicar seus melhores trabalhos. Suas deliberações foram validadas por uma pesquisa com mais de 6 mil cientistas em todo o mundo.

A atual edição da lista cobre artigos publicados entre 1º de janeiro de 2015 e 31 de dezembro de 2020, abrangendo o início da pandemia de COVID-19. A participação de cada cidade é calculada somando a contribuição das instituições afiliadas situadas nelas.

A cidade de Pequim, na China, lidera o ranking pelo quarto ano seguido, à frente de Nova York, Boston, San Francisco e Xangai.

“Acreditamos que vários fatores podem estar envolvidos na melhoria da colocação de São Paulo na lista, como maior quantidade de estudos por conta da COVID-19 e aumento da produção científica em revistas de alto impacto, dentre outras questões que podem ser exploradas em detalhes pelos estudiosos em bibliometria, que são os reais especialistas nesses tipos de estudos”, afirma Teixeira.

Contribuições aos ODS

Também foram ranqueadas as cidades que estão dando mais contribuições para que sejam atingidos os 17 ODS com base no rastreamento de pesquisas publicadas nos 82 periódicos monitorados pelo Nature Index e relacionadas à agenda mundial preconizada pela ONU.

São Paulo também foi a única cidade latino-americana a figurar nesse ranking, ocupando a 141ª posição.

A cidade de Pequim novamente liderou a lista, seguida por San Francisco, Nova York, Baltimore e Boston.

“Grandes instituições de pesquisa federais, além das principais universidades do país, estão localizadas em São Paulo. E elas acabam recebendo a atribuição de desenvolver pesquisas importantes sobre os temas relacionados aos ODS”, avalia Teixeira.

Prêmio de mentoria em ciência

O Brasil foi o país selecionado este ano para o prêmio Nature Research Awards for Mentoring in Science, lançado em 2005 com o objetivo de reconhecer mentores científicos.

Serão concedidos dois prêmios, no valor de US$ 10 mil cada, sendo um para mentor em meio de carreira e outro para pesquisador com uma longa trajetória de realizações em mentoria.

Os indicados para o prêmio devem estar atuando em qualquer disciplina dentro das ciências naturais ou sociais, incluindo ciências aplicadas, e estar trabalhando atualmente no Brasil.

As inscrições devem ser feitas até a próxima segunda-feira (11/10) pelo site https://natureawards.submittable.com/submit/201099/the-nature-mentoring-awards-2021-primary-nomination-form-form-one.

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