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São Paulo apresenta fauna com "RG e "comprovante de endereço"

Publicado em 24 dezembro 2010

As espécies de peixes de água doce e marinhos, além de répteis, aves, mamíferos e anfíbios que existem no Estado de São Paulo acabam de ganhar "RG" e "comprovante de endereço".

O programa Biota-FAPESP elaborou e disponibilizou a lista no site da revista eletrônica do programa, a Biota Neotropica.

Um dos principais objetivos da lista é ser uma referência científica das espécies de animais e plantas que ocorrem no Estado de São Paulo para estabelecer medidas de conservação.

A listagem poderá ser utilizada para a elaboração de uma relação de espécies ameaçadas, com os nomes científicos válidos e referendados, ou para melhorar os mapas de distribuição das espécies.

"Com essas listas, é possível identificar onde essas espécies podem ocorrer no Estado de São Paulo e verificar se os lugares onde elas podem habitar estão bem conservados ou não", disse Tiago Egger Moellwald Duque-Estrada, gestor executivo do Biota-FAPESP.

Outra utilidade da lista, segundo Joly, será garantir a repartição de benefícios dos recursos genéticos da biodiversidade entre os países onde isso foi decidido, que foi um dos maiores avanços da 10ª. Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), realizada no fim de outubro em Nagoya (Japão).

A medida estabelece, por exemplo, que se uma molécula de uma determinada espécie de planta levar ao desenvolvimento de um produto pela indústria farmacêutica ou cosmética, os lucros deverão ser compartilhados com os países que demonstrarem que a espécie ocorre em seu território.

"É claro que haverá espécies que estão presentes em mais de um país e uma das maneiras de se comprovar onde determinada espécie ocorre é por meio de uma lista de espécies oficiais", disse o coordenador do programa, Carlos Alfredo Joly.

Em função disso, conforme a meta estabelecida na Cúpula Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Johanesburgo (Rio+10), em 2002, os países deveriam ter apresentado este ano, em Nagoya, as listas oficiais de plantas, animais e microrganismos que ocorrem em seus territórios.

Mas, a exemplo dos outros 16 países que apresentam alta biodiversidade - conhecidos como "megadiversos" -, o Brasil não conseguiu apresentar suas listagens completas.

"O que conseguimos apresentar foi uma lista parcial de espécies de plantas, que está disponível no site do Jardim Botânico do Rio de Janeiro e que foi resultado de um esforço bastante grande. Mas não conseguimos avançar ainda nas listas de animais e, principalmente, de microrganismos, que é mais difícil de elaborar devida à quantidade muito grande de subespécies", explicou Joly.

Segundo o coordenador do Biota-FAPESP, entre os principais obstáculos para a elaboração da lista oficial das espécies brasileiras está o trabalho de coordenação, que consiste em fazer revisões e correções dos dados das espécies, e o engajamento de pesquisadores para que contribuam.

Na opinião de Joly, uma das formas mais eficientes de elaborar a lista brasileira seria por meio das sociedades científicas, como as de zoologia, ictiologia e botânica, que poderiam realizar o trabalho de coordenação.

"O fato de São Paulo ter saído na frente será um incentivo para que outros estados também se animem a fazer suas listas, e isso deve acelerar o processo de elaboração da lista oficial de espécies brasileiras. Como todas as espécies do Estado de São Paulo já estão catalogadas, elas poderão ser automaticamente inseridas em uma lista nacional", afirmou.

De acordo com o coordenador do programa, inicialmente a lista é composta por espécies de cinco grupos de vertebrados - peixes de água doce e marinhos, anfíbios, répteis, aves e mamíferos - e 21 grupos de invertebrados. Mas os números de espécies catalogadas devem aumentar já nos próximos meses.

"A lista está em construção. Logicamente que ela sempre será modificada e atualizada porque novas espécies vão ser descritas e encontradas", disse Joly.

Até janeiro, os pesquisadores pretendem disponibilizar, também para consulta pela internet, a lista de 7,2 mil espécies de plantas fanerógamas (com sementes) que integram a flora paulista. E, posteriormente, a de outros grupos de plantas, como líquens, samambaias, musgos e algas. Mais informações: www.biotaneotropica.org.br/v11n1a/pt