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São Carlos ganha 1º centro de biopolímeros do país

Publicado em 05 dezembro 2007

São Carlos - Objetivo é criar novos produtos plásticos que não agridem a natureza


Será inaugurado nesta terça-feira (4) na Unidade Federal de São Carlos (UFSCar) o primeiro centro brasileiro de pesquisas de biopolímeros, materiais plásticos que não agridem a natureza. A unidade foi construída por usinas da região de Ribeirão Preto, pioneiras na produção desse material. Já a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) doou os equipamentos. A intenção é expandir os estudos e criar cada vez mais produtos.

Os produtos feitos a partir de biopolímetros incluem embalagens para cosmésticos, canetas, tubos para plantio de mudas, chapas para cartão de crédito, fibras para fazer tapete e tampas de motor automotivo. Ao invés do petróleo, o plástico usado como matéria prima veio da cana-de-açúcar.

Segundo Silvio Ortega, diretor de uma usina, foi descoberto um polímero que é biodegradável e que é compostável. "Isso significa que ele se degrada no meio ambiente sem deixar nenhum dado e ele também pode ser transformado em composto orgânico, o que vai fertilizar as lavouras de cana", disse.

O novo laboratório da UFSCar pretende criar novos produtos e ampliar a aplicação dos que já existem. Lá, o plástico à base de cana irá ganhar formas diferentes. A matéria-prima em pó é transformada em grânulos e depois em produtos, através de equipamentos avançados. Uma máquina, por exemplo, vai produz até 20 canetas por minuto.

De acordo com o professor José Augusto Agnelli, no futuro, o uso constante do plástico biodegradável vai trazer ainda mais vantagens. "Esse tipo de plástico, além de sua possível reciclagem, é uma nova opção limpa e adequada para o contato com o meio ambiente", afirmou.

Em 90 dias, o material maciço se decompõe e, em seis meses, ele se transforma completamente, virando dióxido de carbono (CO2) e água e retornando à natureza sem nenhuma agressão.

Por causa do menor impacto à natureza, ajudando a diminuir o aquecimento global, é grande a expectativa desta parceria entre usinas e universidade. "Estamos somando o conhecimento da academia, através do conhecimento de seus professores, com a iniciativa privada, para o desenvolvimento de produtos que vão preservar o meio ambiente e dar destaque ao Brasil, uma vez que visam o mercado internacional também", disse Sílvio Ortega, diretor de usina.