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A Tribuna (Santos, SP) online

Santos tem praia 'extremamente suja' no inverno e no verão, diz estudo

Publicado em 04 fevereiro 2021

Projeto desenvolvido na região mostra que praia tem a pior classificação em escala internacional

A praia de Santos está classificada como “suja” no outono e primavera e “extremamente suja” no inverno e no verão. Essas categorias correspondem às piores classificações do Coastal Cleaning Index (CCI), uma escala de cinco níveis adotada internacionalmente para classificar zonas costeiras quanto aos impactos do lixo. Plástico e bitucas de cigarros como resíduos mais presentes nas praias de Santos e São Vicente.

Essa é a conclusão do projeto de iniciação cientifica Ciência Cidadã, desenvolvido em Santos, em parceria entre o Instituto Mar Azul-IMA e a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que virou até artigo em uma revista internacional. O projeto foi financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), cujas ações foram realizadas entre 2019 e 2020, com participação de diversas entidades e voluntários.

O estudo de avaliação investigou o tipo e a quantidade de microlixo e mesolixo nas praias que margeiam a Baía de Santos, nas quatro estações do ano. Pioneira no Brasil, a iniciativa consistiu na realização de quatro ações de limpeza de praia a cada estação. Nessas ações, grupos de voluntários fizeram coletas simultâneas em seis pontos da orla, nas praias de Santos e São Vicente.

Essas descobertas, junto com dados fornecidos anualmente pelo IMA, deverão auxiliar o poder público na criação de programas de monitoramento do microlixo e na implementação de políticas eficazes no combate a esse problema, não só em Santos, mas também em outras praias da região da Baixada Santista, explica o diretor presidente da ONG, Hailton Santos.

“A participação acadêmica e o engajamento de todos que fizeram parte desse projeto pioneiro na Baixada Santista e no Brasil, foram determinantes para que chegássemos a este resultado. Vejo como um ponto positivo a participação da sociedade como agentes transformadores”, completa.

Resposta

A Prefeitura de Santos informa que realiza a limpeza diária na faixa de areia e vários programas ambientais, entre eles uma ação pioneira no País. A Secretaria de Serviços Públicos (Seserp) diz que a limpeza é feita cedo, para a retirada dos resíduos depositados na faixa de areia e também dos dejetos trazidos pelo mar, com a movimentação da maré. Além dos resíduos, há muito lixo trazido pelos rios da região, desde o pé da Serra, de Cubatão, de Guarujá, também das submoradias no Estuário e dos navios. A Seserp ressalta que limpeza é feita diariamente do que também é depositado pelas ondas na beira da praia.

Já a Secretaria de Meio Ambiente (Semam) explica que Santos criou, em janeiro de 2017, o Programa de Identificação das Fontes de Resíduos Marinho. Em março do mesmo ano, o Governo Federal lançou plano semelhante, e em janeiro de 2021, foi a vez do Estado anunciar um programa com esse objetivo.

Em Santos, o programa desenvolveu uma metodologia própria, baseada em métodos de arqueologia, metodologia esta que já está sendo utilizada por outros cinco municípios no Brasil - Bertioga, São Luiz (MA), Ipojuca (PE), Fortaleza (CE), Balneário Camboriu (SC).

O estudo tem apoio da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública (Abrelpe), International Solid Waste Association (ISWA) e o Governo da Suécia. Nessa primeira fase, mais de 90 itens foram catalogados e três fontes de resíduos identificadas: frequentadores/comerciantes na faixa de areia, canais de drenagem e moradores dos canais do estuário.

Em relação à faixa de areia, a Prefeitura desenvolveu o Projeto Areia Limpa e realizou treinamento com os 302 ambulantes da orla. Paralelamente, 30 placas educativas, com orientação sobre impacto do lixo no ambiente marinho, e novas lixeiras, também foram instaladas na faixa de areia. E até o início da pandemia de covid-19 foram feitas ações diárias de conscientização dos banhistas, incluindo abordagens na faixa de areia, palestras e exposições, como a que pode ser vista nas paredes externas do Aquário. As ações dos agentes foram suspensas devido à necessidade de distanciamento social.

Nos 12 canais de drenagem, a Semam instalou barreiras flutuantes em setembro de 2020, para reter os resíduos descartados indevidamente nas vias públicas e que acabam nos canais.

E em relação às comunidades que vivem em submoradias no Estuário, teve início, também em 2020, o programa Agentes Comunitários de Resíduos – Beco Limpo, no Dique da Vila Gilda, com apoio da ONG Arte no Dique, Abrelpe e Governo da Suécia. O objetivo é criar uma logística de coleta em áreas de difícil acesso (já em andamento – temos fotos), educação ambiental e geração de renda.

Esse projeto foi apresentado ao Ministério Público Federal que, em janeiro de 2021, confirmou a destinação de R$ 1.8 milhão para ampliação das ações.

Apesar de todo o trabalho de limpeza e conscientização ambiental realizado na Cidade, resíduos descartados de forma irregular, principalmente, em área de mangue (maré) vão parar na água no mar e, consequentemente, na faixa de areia da praia. Visando aumentar a prevenção do problema, a Prefeitura retomou, em maio de 2020, a limpeza das águas que contornam bairros da Zona Noroeste com catamarã.

Por fim, a Prefeitura pede que a população não descarte resíduos de forma irregular, o que prejudica a drenagem das galerias pluviais e também a balneabilidade das praias.