Notícia

Gazeta Mercantil

Santin no mercado de cúpula para telescópio

Publicado em 29 maio 2001

Por Jorge Luiz Massaroto - de Piracicaba SP
A Indústria Metalúrgica Santin SA., de Piracicaba (SP), especializada em serviços de usinagem em geral, está prestes a colocar sua marca no campo da astrofísica mundial. Dentro de 60 dias a empresa despacha para o Chile a estrutura metálica de 75 toneladas que sustentará o domo do observatório astronômico do projeto Soar (Southern Observatory for Astrophysical Research), em construção na montanha Cerro Pachon. Resultado do consórcio entre instituições de pesquisa brasileiras e norte-americanas, o projeto Soar consiste na montagem e instalação de um telescópio com 4.2 metros de diâmetro. O telescópio é considerado o de melhor performance entre todos os existentes no mundo em sua categoria, com desempenho comparável ao Hubble, nem tanto pelo tamanho, mas pela tecnologia usada na óptica do telescópio. O custo total do projeto Soar está orçado em US$ 42 milhões. Desse total. US$ 28 milhões serão gastos na estrutura física de 400 metros quadrados de área construída e na montagem do telescópio. Os outros US$ 14 milhões serão utilizados ao longo de 20 anos na manutenção e funcionamento do observatório. O Brasil arca com 45% das despesas de construção do observatório US$ 12 milhões) e as instituições americanas com 57% (US$ 16 milhões). No caso específico do domo, também chamado de cúpula, o custo gira em torno de US$ 1,8 milhão. Esse preço envolve a construção da estrutura de aço e os demais componentes, do qual participam grupos brasileiros e americanos. No Brasil, várias empresas mostraram interesse em participar da construção do domo, mas foi a Equatorial Sistemas, de São José dos Campos (SP), quem venceu a licitação e terceirizou alguns serviços. A Santin foi escolhida para fazer a estrutura metálica, que por sua vez repassou a usinagem da maior peça, o anel de aço, para a Atlas, de São Paulo. A Fibraforte, de São José dos Campos, também participa do projeto. O domo é considerado a parte fundamental do projeto, já que sustentará e protegerá o telescópio das intempéries. A Santin teve a tarefa de construir a cúpula de aço e desenvolver os mecanismos e pontes rolantes que movimentarão o domo para acompanhar os astros. A estrutura metálica tem 20 metros de diâmetro e 14 metros de altura. Sua montagem exigiu o uso de 100 toneladas de aço estrutural (A-36), considerado o mais apropriado para suportar as adversidades climáticas que o equipamento enfrentará na montanha chilena. "A escolha da Equatorial se baseou no tipo de trabalho já executado como câmeras para satélites e sistemas de controle, e da Metalúrgica Santin na experiência em construir grande estruturas", explica o gerente do projeto no Brasil. Célio Andrade, do Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA), unidade de pesquisa do Ministério da Ciência e Tecnologia. "Com este trabalho provamos que temos capacidade de atuar tanto no fundo do mar como no espaço", diz o engenheiro Carlos Gregório, responsável pelo projeto na empresa. Gregório refere-se às "árvores de natal", equipamentos fornecidos pela empresa à Petrobras para a exploração de petróleo no fundo do mar. A Santin deverá faturar R$ 25 milhões este ano com a fabricação de peças para o setor portuário (25%), químico e petroquímico (20%), sucro alcooleiro (20%), cimento (20%) e papel e celulose (15%). O telescópio do projeto Soar deverá entrar em operação no final do próximo ano. A expectativa dos cientistas é que a tecnologia de ótica ativa e adaptativa, desenvolvida nos últimos dez anos, permita obter dados de qualidade máxima, principalmente no infravermelho. Esta tecnologia permite controlar eletronicamente os espelhos do telescópio e eliminar distorções causadas pela turbulência atmosférica.