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Usinagem Brasil

Sandvik Coromant promove debate sobre digitalização

Publicado em 02 dezembro 2018

A Sandvik Coromant promoveu na semana passada, na nova sede do Sinafe/ABFA, em São Paulo, o evento “Digitalização na Indústria - soluções que lideram e conectam”. O encontro reuniu cerca de representantes de vários setores industriais (automotivo, aeroespacial, de óleo e gás, metal-mecânico), além de entidades e especialistas para discutir os impactos da indústria 4.0 nos rumos do parque industrial brasileiro.

“A ideia não é fazer uma apresentação sobre indústria 4.0, mas reunir pessoas de destaque que têm o mesmo objetivo: trazer essa usinagem digital para o nosso dia a dia. É a oportunidade de criar um grupo de discussão”, explicou Cláudio Camacho, vice-presidente de Vendas da Sandvik Coromant para América do Sul.

O evento contou com apresentações de Jeff Rizzie, diretor de Usinagem Digital para as Américas da Sandvik Coromant; Renato Cruz, jornalista especializado em tecnologia; e Horácio Forjaz, diretor de Relações Institucionais da Fapesp.

“Quando olhamos para a área de usinagem de uma indústria, nos deparamos com muitos desperdícios. Um dos problemas é que ainda armazenamos conhecimento de uma forma muito antiga: ainda temos que lembrar como fizemos algo pela última vez olhando em cadernos!”, observou Jeff Rizzie. “Como, então, navegar em meio a toda essa gama de informação de forma mais prática e transformar isso em procedimentos e produtos melhores? A resposta está na tecnologia digital. Precisamos ser mais eficientes”, disse, frisando que hoje, durante cerca de 60% do tempo, as máquinas de usinagem estão fazendo algo que não é a criação de um bom produto.

“O fato é que a maneira como gerenciamos nossas máquinas no chão de fábrica precisa mudar, embora muitos profissionais não percebam isso. Muitas vezes pensamos que estamos operando com 70% de eficiência, quando na verdade a média do processo fabril é de apenas 40%”.

Rizzie também abordou o conceito CoroPlus, desenvolvido pela Sandvik Coromant. Trata-se de uma plataforma de software e hardware, com ferramentas integradas, que confere maior produtividade às operações de usiangem, além de auxiliar na redução de desperdícios de tempo e recursos em todas as etapas de produção. A plataforma conta soluções para as fases de pré-usinagem (desenvolvimento de projetos e planejamento), a fase de usinagem propriamente dita até a fase de análise posterior - esta com tecnologia baseada em sensores e sistemas de monitoramento que permitem conhecer melhor o processo e como melhorá-lo.

Renato Cruz destacou que “a indústria 4.0 engloba aspectos de uma empresa por inteiro. É uma mudança cultural e não só de tecnologia”. Ele mostrou números da consultoria McKinsey que apontam que 50% das atividades realizadas por seres humanos hoje podem ser feitas por robôs. “Vamos ter que aprender a trabalhar com eles - sejam os robôs físicos, máquinas ou softwares inteligentes”. Por outro lado, apenas 5% das profissões podem ser totalmente desempenhadas por máquinas.

Em sua apresentação, Horácio Forjaz destacou a importância do investimento em P&D como política pública. “A indústria 4.0 é um plano de origem alemã envolvendo os setores público e privado com o objetivo de manter a competitividade da indústria, gerar emprego e preservar a qualidade de vida. Não é um fenômeno isolado, existem planos equivalentes, como o Made in China, que investe 2,3% do PIB daquele país de maneira coordenada. Já os Estados Unidos, desde 2017, aumentaram em 12% o dispêndio público em pesquisa e desenvolvimento. O Japão, 13%”, enumerou. De acordo com Forjaz, no Brasil a realidade é um pouco distante. “Não conseguimos chegar a 1,7% do PIB em investimentos de P&D e, o pior, esse índice vem declinando”.

No encerramento do evento, Sean Holt, presidente da Sandvik Coromant para as Américas, lembrou que a empresa está investindo na construção de sua nova sede no Brasil, em Jundiaí (SP). “Estamos investindo em novas instalações para dar força a essa nossa mensagem digital. Concordo com Jeff quando ele comenta que precisamos pensar grande, mas começar pequeno, e fazer as coisas rapidamente. Mas para o Brasil não é necessário mover-se rápido, mas mover-se agora”.