Notícia

Gazeta Mercantil

SALTAR DA ERA DA INFORMAÇÃO PARA A DO CONHECIMENTO

Publicado em 07 junho 1995

A era da informação pode estar no fim. De qualquer maneira, devemos esperar que assim o seja. Embora tenha sido invariavelmente descrita como empolgante -palavra hoje aplicada a qualquer coisa nova, seja um novo tipo de cereais em flocos seja um desafio real - a era da informação, na verdade, representou o oposto. Ofereceu a qualquer chato do mundo um fluxo ilimitado de dados muito útil para fazer suas vítimas pegar no sono. Mas, se o que está sendo previsto por uma universidade japonesa estiver correto, a informação está cedendo espaço ao conhecimento. De acordo com dois pesquisadores japoneses, uma pessoa não terá sucesso em seus negócios se não criar um conhecimento novo. Isso explica, aparentemente, por que algumas empresas já instituíram cargos de "vice-presidente para a área do conhecimento". As pessoas que ocupam esses cargos não chefiam departamentos que utilizam intensamente a tecnologia da informação, mas sua função é captar e analisar os palpites, as perícias e as percepções originais ou "insights" de certas situações por parte de seus funcionários. Isso é que se entende por conhecimento. Talvez não sob a perspectiva comum: um palpite, afinal, pode revelar-se errado. Neste caso, seria melhor descrevê-lo como informação ou talvez como má informação. Mas, pelo menos, a perícia para o exercício de certas funções e o "insight" significam mais do que receber e processar fatos. O problema da era da informação é que ela não dá valor algum à diferenciação. Sob esse aspecto, a era da informação foi o primeiro retrocesso na história, a não ser que se conte também a era de aquário, para muitos, a humanidade evolui em lenta progressão, passando sempre para uma etapa mais sofisticada. Da Idade da Pedra, fomos para a do Ferro, a do Bronze, a da razão, ao iluminismo, a idade da análise e - argh! - para a da informação. Com ela, começamos a receber via computador um fluxo bruto de dados, passando a ter menos valor, em conseqüência, a capacidade de diferenciar entre o útil e o inútil, o bom e o mau, o interessante e o chato. Naturalmente, nada há de errado com a informação, desde que ela não seja venerada. Qualquer biblioteca precisa de um dicionário, de uma lista telefônica, talvez um computador; algumas pessoas podem até mesmo encontrar uma utilidade para a Internet. E quanto mais informação surgir, naturalmente maior será a necessidade das pessoas de interpretá-la. Além disso, fatos e imagens no geral são mais bem usados da mesma forma como um bêbado faz uso de um poste de luz -mais para apoio do que para iluminação - e os pesquisadores japoneses estão certos em acreditar que a informação por si só raramente produz grandes "insights". Daí uma outra observação lúgubre sobre a era da informação: embora hoje existam tantas pessoas vivas quanto mortas, a maior parte dos grandes pensadores, inventores, artistas, filósofos, estadistas, parece estar debaixo da terra. Uma ilusão de óptica? Talvez. Mas pode ser que a taxa de aumento da informação e mesmo de conhecimento hoje não signifique crescimento da taxa de sabedoria. Seguramente, eis aqui um tema que está reclamando uma pesquisa: qual é a relação entre conhecimento e sabedoria? Se a informação está para o conhecimento assim como a instrução está para a educação, que atributos seriam necessários para o salto para a sabedoria? Muitas perguntas precisarão ser respondidas, muitas respostas deverão ser superadas, muitos relatórios serão escritos; um novo setor baseado no conhecimento pode emergir. Quando se encontrar a resposta haverá um grande avanço, talvez empolgante. Estaremos a caminho da era dos sábios. Reproduzido do THE ECONOMIST