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Diário da Serra online

Saliva de carrapato pode ser arma contra doença

Publicado em 27 novembro 2012

O Brasil apresenta grandes avanços na luta contra o câncer. Uma pesquisa do Instituto Butantan, que revela uma substância na saliva do carrapato estrela (Amblyomma cajennense) capaz de reduzir tumores cancerígenos, principalmente no pâncreas, está em fase de testes pré-clínicos. Esta etapa é realizada em animais e deve comprovar a eficácia da proteína conforme as regras Anvisa.

Patrocinada inicialmente pela Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), a pesquisa, iniciada em 2003, hoje também é financiada e patenteada pela empresa brasileira União Química Indústria Farmacêutica.

Dados do INCA apontam que o câncer de pâncreas representa 2% de todos os tipos, sendo responsável por mais de nove mil novos casos anualmente. Dos pacientes que contraem a doença, 75% morrem ainda no primeiro ano de tratamento. Cinco anos após a detecção do tumor, a taxa de mortalidade sobe para 94%.

Segundo a farmacêutica e coordenadora da pesquisa, Ana Marisa Chudzinski-Tavassi, os primeiros resultados dessa fase devem aparecer em um ano. “Depois dessa etapa de testes o estudo poderá ser realizado em humanos”, afirma.

Inicialmente, os pesquisadores buscavam encontrar capacidade anticoagulante na saliva do carrapato, mas perceberam que a proteína também agia diretamente nas células. O experimento foi então estendido a camundongos que tiveram melanomas (câncer de pele) induzidos, e o resultado surpreendeu os pesquisadores. “A saliva do carrapato possui substancias tóxicas para células tumorais, sem oferecer risco para as células saudáveis”, explica Ana Marisa.

O estudo já foi registrado e patenteado e a intenção é que o medicamento seja produzido no Brasil.

O Observador - Data do Artigo: 27/11/2012