Notícia

Diário do Povo

Sair da aeronave é a melhor hora do voo

Publicado em 31 dezembro 2010

Por Gisela Paraná Sanches

Problemas relacionados à comodidade das poltronas. Segundo estudo do Laboratório de Pesquisa Ergo & Ação, do Departamento de Engenharia de Produção da Universidade Federal de São Carlos (UFS-Car), esse é o principal motivo da sensação de alívio estampada nos rostos dos usuários ao desembarcar de aeronaves após voos domésticos no Brasil. Financiada pela Fapesp, Embraer e com apoio da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a pesquisa - desenvolvida em parceria com a Universidade de São Paulo (USP) e Universidade Federal de Santa Catarina - visou simular as condições dentro dos vôos domésticos. Liderados pelo professor-doutor Nilton Luiz Menegon, os pesquisadores ouviram 377 passageiros e aplicaram questionários em usuários de 40 trechos de vôos domésticos efetuados por 7 companhias aéreas. Efetuada entre novembro de 2009 e fevereiro deste ano, a pesquisa mostrou que os assentos, em especial os do meio, são os vilões causadores de desconforto nas viagens. As principais reclamações são referentes ao pouco espaço para as pernas, a largura do assento, falta de apoio para os pés e apoio compartilhado para os braços.

Utilizando um método inédito no País, os estudiosos filmaram e fotografaram os passageiros durante as viagens e depois transformaram todo material em animação com bonecos. Com tudo digitalizado, foi possível analisar a movimentação dos passageiros durante o voo. "O diferencial dessa pesquisa é que analisamos todo o processo postural dos passageiros dentro do avião de forma dinânica", afirmou Marina Fonseca Greghi, doutoranda que participou da pesquisa.

O emprego da técnica em escala real possibilitou demarcar a proximidade entre as poltronas e a falta de espaço para movimentos simples como cruzar as pernas. Com base nessas medições foi criada uma escala de 0 a 10, sendo o grau máximo de desconforto. Com nota 9, a poltrona foi criticada por 78% dos entrevistados. Dentre as atividades realizadas por eles dentro dos aviões, as que mais causaram constrangimentos foram: repousar e dormir, com 74,65%, alimentar-se (46,06%) e dificuldade para ir ao banheiro (40,63%).