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Saiba como foi a palestra INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL: QUEM SERÃO OS GANHADORES?, de Ana Paula Assis

Publicado em 20 março 2019

Por Isabel Jungk

Nesta segunda, dia 18/03/2019, às 17hs, no auditório da Rua Marquês de Paranaguá, 111, Campus Consolação, o Programa de Pós-Graduação em Tecnologias da Inteligência e Design Digital da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (TIDD/PUC-SP), coordenado pela professora Lucia Santaella, recebeu Ana Paula Assis, Presidente da IBM América Latina com mais de 20 anos de experiência internacional na indústria de TI e reconhecida formadora de opinião em inteligência artificial e responsabilidade de dados. A palestra contou com a mediação de Dora Kaufman, pesquisadora em transformação digital e seus impactos.

Falando aos alunos e convidados do TIDD durante aproximadamente uma hora, Ana Paula levantou pontos fundamentais para pensar as consequências das novas tecnologias. Fazendo a ponte entre a indústria e a sociedade, o mercado e a academia, a executiva deixou claro que, apesar das polêmicas que vem suscitando, a inteligência artificial será um fator de avanço, de progresso e desenvolvimento no presente e no futuro.

A própria expressão inteligência artificial merece atenção, pois ela não significa substituir a inteligência humana, embora ainda seja essa a impressão predominante. O propósito desses desenvolvimentos é sim expandir a inteligência humana em suas possibilidades e capacidades, sendo preferível, nesse sentido, a expressão inteligência aumentada, destacou ela. De qualquer maneira, a inteligência artificial veio para ficar, não há dúvidas, e indica que pessoas e máquinas podem trabalhar em conjunto, aumentando sua eficiência em diversas atividades e áreas do conhecimento.

Há as atividades em que os humanos se destacam, tais como definir objetivos e fazer julgamentos de valor. Essas habilidades são fundamentais para o direcionamento do uso e aplicações da IA. Por outro lado, os computadores possuem a capacidade de processar quantidades gigantescas de dados, tratando-os estatisticamente em busca de padrões. O trabalho conjunto de pessoas e máquinas pode, então, levar a melhores tomadas de decisão, com mais confiança e menos vieses do que se trabalhassem separadamente. No tocante ao aspecto ético, o alinhamento de valores para esse trabalho conjunto é fundamental, bem como a transparência no processo de geração de resultados, pois confiança é a chave dessa interação. “There is no AI without IA”, explicou ela, ou seja, “não há a inteligência artificial sem arquitetura de informações”.

Ana Paula observou ainda que, ao contrário do que possa parecer, as perspectivas até o ano de 2025 apontam que a inteligência artificial gerará mais empregos do que aqueles que ela irá substituir, com um saldo positivo para o mercado de trabalho. Contudo, explicou, para aproveitar essas oportunidades será necessário pensar continuamente na capacitação (skilling) e recapacitação (reskilling) de profissionais, sendo esse atualmente um dos primeiros tópicos na agenda de qualquer executivo, afinal, as técnicas de inteligência artificial permearão cada vez mais todas as atividades do dia a dia.

Aprendizagem contínua (continuous learning) é, então, a chave do sucesso nesse novo cenário, salientou. Os profissionais que se capacitarem para novas funções tecnológicas (análise e segurança de dados, computação em nuvem, internet das coisas, design thinking, etc.), precisarão igualmente aliar habilidades tais como criatividade, comunicação, capacidade de aprendizado e liderança, responsabilidade e ética, pensamento crítico e trabalho em equipe, pois ninguém mais consegue fazer nada sozinho. Nesse cenário, torna-se cada vez mais necessário assumir riscos, desaprendendo e reaprendendo pela observação, se adaptando às novas realidades que surgirão da crescente colaboração entre homens e máquinas. No início deste ano, a IBM anunciou a criação de um centro de pesquisa na área de inteligência artificial no Brasil, em parceria com a FAPESP e uma ou mais universidades que participarem da iniciativa.

Ao final, Ana Paula respondeu às perguntas do numeroso público, e frisou o quanto as tecnologias procurarão se assemelhar aos humanos, a exemplo do Project Debater, um sistema de inteligência artificial capaz de se engajar em um debate com humanos em tempo real, que foi desenvolvido pela IBM Research, e cuja apresentação já está disponível na rede e para ser visualizada (https://www.youtube.com/watch?v=m3u-1yttrVw ).

Após a palestra, foram lançados três livros de pesquisadores do TIDD/PUC-SP: Desafios humanos no contemporâneo, coletânea organizada por Lucia Santaella de artigos de pesquisadores do Grupo Transobjeto, resultado de suas atividades ao longo dos últimos 6 anos; A inteligência artificial irá suplantar a inteligência humana?, de Dora Kaufman, e que faz parte da coleção Interrogações, ambos da editora Estação das Letras e Cores (São Paulo, 2019) e, ainda, Artificial Intelligences. Essays on inorganic and nonbiological systems, coletânea de artigos de pesquisadores nacionais e estrangeiros organizado por Alexandre Quaresma (Madrid: Global Knowledge, 2018).