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Vale Paraibano

Sacola plástica, um problema ambiental

Publicado em 24 fevereiro 2008

As sacolas plásticas estão no centro de um acirrado debate que coloca em lados opostos ambientalistas e representantes da indústria petroquímica. A discussão gira em torno da quantidade de lixo derivado do plástico produzido pela humanidade.

Para se ter uma idéia do tamanho do problema, estima-se que sejam produzidas 500 bilhões de sacolas plásticas por ano no mundo, equivalente 1 milhão por minuto. No Brasil, os supermercados distribuem 1 bilhão de sacolas por mês, o que dá a média de 66 sa colas para cada brasileiro.

Como a maior parte deste material acaba no lixo, a matéria-prima das sacolas, o plástico filme, já representa 10% de todo o detrito coletado no país. Alcança o incrível volume de 210 mil toneladas.

Os 'verdes' defendem a retirada gradual das sacolas plásticas do mercado, substituídas por mate riais biodegradáveis, como papel ou sacolas feitas de fontes renováveis de energia, caso do milho e da cana-de-açúcar. Há ainda tecidos feitos da mistura do algodão com fibras feitas de garrafas PET (leia texto nesta página) para produzir sacolas de pano.

 

"Há muitas maneiras de evitar o uso da sacola plástica", diz a economista e ambientalista Sueleide Prado, administradora da ONG Vale Verde, de São José dos Campos. "O importante é diminuir a quantidade de lixo."

Reagindo à grita ambiental, a indústria desenvolveu o plástico oxibiodegradável, tido como a solução para o problema da lenta de gradação das sacolas plásticas no meio ambiente, que demoram pelo menos 300 anos para se de compor.

A novidade utiliza aditivos químicos para acelerar a de composição das sacolas na natureza. Modificado, o plástico reage ao contato com o oxigênio e some mais rapidamente.

No entanto, há controvérsias sobre a nova tecnologia. Segundo o engenheiro químico Edson Fujita, 57 anos, de São José, os plásticos (polímeros) são muito estáveis e demoram séculos para se degradar no meio ambiente. O oxiplástico criado pela indústria petroquímica acelera essa de composição com a adição de pro dutos químicos.

Acontece que tais produtos são tóxicos, lembra Fujita, e podem contaminar o meio ambiente. Eles até liberariam gases de efeito estufa, corno CO2 e metano, além de metais pesados e outros compostos inexistentes no plástico comum.

"Não existem estudos adequados sobre danos à natureza deste tipo de plástico, principalmente a longo prazo", afirma Fujita.

O engenheiro defende a adoção do componente chamado biopolímero, que nada mais é do que o plástico feito de fontes renováveis de energia, como milho e cana-de-açúcar.

A Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), em parceria com a iniciativa privada, está desenvolvendo pesquisas para produzir o biopolímero. "Eles serão os plásticos do futuro, capazes de livrar a sociedade de montanhas de detritos", comemora o secretário de Estado do Meio Ambiente, Francisco Graziano Neto, o Xico Graziano.

Diferenças à parte, ambientalistas e políticos concordam num ponto: é preciso diminuir a produção de lixo, doméstico e industrial. As melhores propostas são ampliar a quantidade de material reutilizável e pressionar a indústria, através do mercado, para adotar medidas ecologicamente positivas.

Hoje, estudos estimam que cada pessoa gere a média de 900 gramas diárias de lixo. Em São José, por exemplo, os caminhões da Urbam (Urbanizadora Municipal S.A.) recolhem em torno de 500 toneladas de lixo por dia.

Do total, apenas 24 toneladas são separadas nas casas e levadas para a reciclagem. O restante vai para o aterro sanitário no Torrão de Ouro, na zona leste. "Cerca de 38% desse lixo desperdiçado poderia ser reaproveitado. E riqueza jogada fora", aponta Rogério Rosa, 35 anos, coordenador do Centro de Triagem do aterro.

Lá, 96 auxiliares coletam e separam o lixo trazido pelos caminhões da coleta seletiva, que atendem 90% da cidade. Só de plástico, são 900 quilos por dia.

Pelas mãos de Ângela Aparecida Lima, 46 anos, passam todos os dias 300 quilos de lixo reutilizável. Ela trabalha na separação há 10 anos e conta que mudou seus hábitos depois de ver tanta coisa no lixo. "Uso bem menos plástico em casa Procuro reaproveitar tudo", diz. Para ela e o mundo, dizem os ambientalistas, a saída é essa.

Sacolas podem matar peixes e entupir esgoto

Uma singela sacola plástica joga da na rua vai acabar na água. Seja pela ação da chuva ou pelas galerias de águas fluviais ou pelos ribeirões e c*regos. Na água, as sacolas produzem estragos muitas vezes despercebidos pela população. "Elas podem ser confundidas com animais e provocar a morte de peixes e tartarugas, além de entupir redes de coleta de água, esgoto e poluir mananciais", afirma o secretário de Meio Ambiente de São José, André Miragaia. Ele defende campanhas educativas pala diminuir a produção de lixo.

Garrafas PET ganham novas utilidades

Ao invés de poluir rios ou multiplicar a quantidade de lixo nos aterros Sanitários as garrafas PET podem se transformar em camisetas de várias cores e modelos.

Em São José, parceria entre a ONG Vale Verde e a empresa Ciclo Ambiental, do Rio de Janeiro, trouxe a novidade para a cidade. Trata-se de urna fibra especial produzida a partir da reciclagem de garrafas de refrigerante. Misturada ao algodão, na base de 50%, a fibra se transforma em camisetas feitas por costureiras de uma favela carioca. 

"O pano é um pouco mais grosso do que o algodão comum e serve muito bem para dar uma nova utilidade às garrafas", diz Sueleide Prado, administradora da Vale Verde. A novidade chamou a atenção de um grupo de cinco estudantes do curso técnico ambiental do Colégio Univap (Universidade do Vale do Paraíba). Eles decidiram ser voluntários da ONG.

"Proteger o meio ambiente depende da iniciativa de cada um, em todo lugar. A mensagem é reduzir o lixo e evitar desperdícios", opina a estudante Gabrieli Afonso, 17 anos.

"As pessoas fazem o mais fácil, que é jogar lixo na rua, mas não sabem que isso é quase um crime ao meio ambiente", completa Marcos Tamashiro, 17 anos.

Na Europa e nos Estados Unidos, o mundo da moda decidiu contribuir com as campanhas de redução de lixo e lançou sacolas de pano e sacos e caixas de papel com a estampa "Eu não sou uma sacola de plástico". Os produtos viraram febre em pouco tempo.