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O Vale

Sabesp adia prazo para tratar 100% do esgoto de São José

Publicado em 25 setembro 2010

Por Eduardo Carvalho

Com atraso de um ano e oito meses, a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) anunciou ontem que lançará na segunda quinzena de outubro o edital de licitação para obras de despoluição do córrego Pararangaba, que corta a região leste de São José dos Campos.

O acordo, que havia sido firmado entre o prefeito Eduardo Cury (PSDB) e o governo do estado em dezembro de 2008, deverá custar R$ 24 milhões a mais que o orçamento previsto inicialmente, além de ter seu prazo de conclusão ampliado em dois anos. Na época a estatal paulista pretendia investir R$ 70 milhões, com o serviço sendo executado em duas fases e concluído até 2012.

O edital tinha data de lançamento prevista para fevereiro de 2009. Agora, a obra custará R$ 94 milhões, tem previsão de iniciar entre abril e junho de 2011, com conclusão para 2014.

Crescimento. De acordo com a Sabesp, o desenvolvimento da zona leste de São José dos Campos, segunda maior do município - atrás apenas da zona sul - e considerada com maior potencial de crescimento nos próximos anos fez a empresa rever o projeto executivo, no intuito de aumentá-lo para atender a demanda.

Segundo a Sabesp, isto causou o aumento dos custos da implantação do sistema Pararangaba, que prevê ainda a construção de uniu Estação de Tratamento de Esgoto no distrito de Eugênlo de Melo, com capacidade para tratar 400 litros de esgoto por segundo.

O prefeito Eduardo Cury afirmou que o novo sistema vai possibilitar a resolução de problemas de saneamento em bairros daquela região. Bairros clandestinos poderão ser regularizados, como o Portal do Céu, Santa Hermínia e Santa Maria , afirmou Cury.

Sem esgoto. A despoluição do córrego Pararangaba faz parte do projeto da prefeitura de alcançar 100% do tratamento de esgoto in natura produzido no município. Hoje, segundo a Sabesp, apenas 45% do esgoto é tratado antes de ser escoado ao rio Paraíba do Sul, principal afluente da região.

A coleta e tratamento é feita pelos sistemas Vidoca (Estação Elevatória de Esgoto), que permite o recalque do esgoto para tratamento na ETE (Estação de Tratamento de Esgoto) Lavapés, que está em fase de ampliação, possibilitando até dezembro deste ano um aumento de 40% no tratamento (totalizando 85%). De acordo com a Sabesp, foram investidos até o momento R$ 48,6 milhões nos dois projetos.

Licitação. Segundo Dilma Pena, secretária estadual de Saneamento e Energia, com o edital lançado em outubro, o processo de licitação demorará cerca de seis meses para ser concluído.

É uma modalidade chamada locação de ativos: o consórcio de empresas ganhador da licitação buscará o financiamento para implantar a obra A Sabesp pagará um aluguel por 20 anos. Depois disso, a obra retornará para os ativos da empresa , afirmou.

Centro irá pesquisar soluções de saneamento

Também ontem foi realizado no Parque Tecnológico de São José dos Campos a assinatura do convênio entre a prefeitura e a Sabesp para a implantação do Centro de Desenvolvimento de Tecnologias em Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental.

Segundo a secretária de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo, Dilma Pena, a parceria tem o objetivo de incentivar a pesquisa de soluções para a segurança do saneamento e abastecimento de água, na implantação de infraestrutura e em outros setores que ainda serão definidos por uma equipe de gestão, nos próximos 45 dias (com membros da estatal paulista, do Parque Tecnológico, do Instituto de Pesquisas Tecnológicas e da Prefeitura de São José).

Investimento. Na fase inicial, participarão das pesquisas três cientistas que administrarão o desenvolvimento de até 10 linhas de investigação científica

A Sabesp investiu R$ 450 mil no centro, que tem 147 metros quadrados.

De acordo com Gesner Oliveira, presidente da estatal, a verba destinada às pesquisas fazem parte de um montante de R$ 50 milhões que a empresa destinou à Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).

É uma atitude pioneira no Brasil. Temos muitos desafios na área de saneamento e estamos buscando a solução , afirmou Oliveira.