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A Tribuna (Santos, SP) online

Saber, poder e protecionismo

Publicado em 25 fevereiro 2008

Por Celso Lafer, presidente da FAPESP

A Fapesp apoiou, muito significativamente, as descobertas no âmbito do genoma da cana-de-açúcar. Isso colocou o nosso País na vanguarda do conhecimento sobre a cana. Nós somos mais competitivos do que qualquer outro nesta área de etanol e de biocombustíveis.

Então, você começa a, também, levantar outras questões. Na negociação em andamento sobre a Rodada Doha (debates entre potências comerciais para a redução de barreiras econômicas), um dos grandes temas do Brasil diz respeito aos subsídios na agricultura tanto na União Européia quanto nos Estados Unidos.

Nosso argumento é que deve haver, para a agricultura, tratamento similar ao que existe para os bens industriais. Os europeus argumentam que a agricultura é um modo de vida, está ligado ao meio ambiente. A nossa resposta é que a indústria também é multifuncional, porque tem emprego, tem isto, tem aquilo...

Claro que eu entendo que a matriz energética mundial precisa levar em conta a sustentabilidade. Mas, uma boa parte da discussão tem intuitos protecionistas em relação à nossa competitividade. Falo isso à luz da minha experiência como embaixador em Genebra (Suíça) e como ministro das Relações Exteriores.


Celso Lafer, Presidente da Fapesp, foi ministro das Relações Exteriores nos governos dos ex-presidentes Fernando Collor de Mello (1992) e Fernando Henrique Cardoso (2001-2002).