Notícia

Diário de Santa Bárbara d'Oeste online

S. Bárbara irá participar de projeto de pesquisa sobre virose do maracujá

Publicado em 22 junho 2020

Os municípios de Santa Bárbara d´Oeste, Rafard e Capivari irão receber plantios de maracujá para um projeto de extensão rural e pesquisa sobre a virose do maracujá. O projeto está em fase de implementação em uma área total de três hectares.

A iniciativa é fruto de integração do trabalho de extensionistas da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, que atuam na Coordenadoria de Desenvolvimento Rural Sustentável (CDRS) Regional Piracicaba, pesquisadores da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq/USP) e produtores rurais da região.

Com recursos de mais de R$ 180 mil, aprovados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), o projeto, com foco em sanidade na fruticultura, intitulado “Rouging para o manejo do endurecimento dos frutos do maracujazeiro”, está sendo implementado em escala comercial na região de Piracicaba. Segundo Gustavo Ferraz de Arruda Vieira, diretor da CDRS Regional Piracicaba, a finalidade é realizar um trabalho de pesquisa de campo sobre a virose do maracujá, doença disseminada em todas as áreas de produção no Brasil e que causa grandes danos na produção e produtividade, com consequentes prejuízos econômicos aos fruticultores.

“Identificamos a presença da doença em nossa região, mas temos a dimensão do seu impacto no Estado. Em um trabalho integrado com a pesquisa da Esalq e três produtores que entenderam a importância do projeto e disponibilizaram áreas de um hectare cada, estamos em fase de instalação dos pomares (somente um dos produtores cultiva maracujá) para iniciar as pesquisas”, salienta Gustavo, que, ao lado dos engenheiros agrônomos Décio Leite e Ricardo Paterniani, os quais atuam respectivamente nas Casas da Agricultura de Rafard e Charqueada, conduz o projeto pela extensão rural, com apoio do produtor e engenheiro agrônomo da Prefeitura de Rafard, André Luiz Quagliato.

Importância

Décio Leite, que teve a iniciativa do projeto com foco no controle da virose, explica a sua importância. “Com a virose disseminada, ocorre uma redução da vida útil dos pomares, de 36 para cerca de 18 meses de produção. Sendo assim, com ações de controle e erradicação das plantas contaminadas, balizadas pela pesquisa, a tendência é tentar mudar esse cenário de forma positiva para os produtores”.

De acordo com o professor Jorge Alberto Marques Rezende, do Departamento de Fitopatologia e Nematologia da Esalq/USP, coordenador da pesquisa, e com apoio do pós-graduando Gabriel Madoglio Favara, o objetivo do trabalho é validar a estratégia da erradicação sistemática de plantas doentes (roguing), por meio de inspeções semanais, como forma eficiente e duradoura de manejo da doença no campo.

O professor informou que a pesquisa tem previsão de conclusão em cerca de três anos. “Estamos na fase de produção das mudas da variedade Gigante Amarelo em estufa plástica protegida contra insetos. Em setembro, elas serão transplantadas no campo e conduzidas no sistema tradicional em espaldeiras de um fio de arame”, diz Jorge.

Santa Bárbara

O agrônomo Ricardo Paterniani, que atuou como responsável da Casa da Agricultura de Santa Bárbara comentou que o município barbarense não tem tradição na cultura de maracujá. O destaque é o plantio de cana-de-açúcar, porém com o resultado desta pesquisa poderá abrir portas para incentivar o cultivo da espécie em seu território. Atualmente, Ricardo está como chefe da Casa da Agricultura de Charqueada.

Um dos produtores envolvidos é João Rodrigues de Oliveira Neto, de Santa Bárbara d´Oeste, que se mostra feliz em participar. “Eu planto maracujá há muitos anos, antes na região de Marília e agora aqui em Santa Bárbara. Hoje, um dos maiores entraves, que limita a produção, é a virose, pois quando ela ataca, os frutos ficam duros e fica inviável a comercialização. Geralmente, perdemos a roça, pois não há produto para contornar a situação. Participar desse projeto será um grande ganho; aprenderemos muito e trocaremos experiências”.