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Jornal da USP online

Rumo ao mar

Publicado em 04 setembro 2013

A USP avança na implantação de um novo campus. No dia 12 de agosto passado, foi assinado um termo de cooperação técnica entre a USP e a prefeitura de Santos para viabilizar a implantação do campus naquela cidade e o funcionamento de cursos de graduação e de pós-graduação e de atividades de pesquisa e extensão no local. Para isso, a prefeitura cedeu à USP área localizada atrás do prédio da Escola Cesário Bastos, na Vila Mathias, no centro da cidade, com 5.200 metros quadrados, que permitirá a construção de um prédio para atender a essa demanda.

“Desde o início, quando fizemos um encontro na cidade de Santos (dentro do Programa Reitoria em Santos, promovido em dezembro de 2011), percebemos que este é um campus que não fará concorrência com os outros, mas com o qual as unidades de ensino e pesquisa da Universidade querem e veem possibilidade de colaborar”, afirmou o reitor João Grandino Rodas. “Este é um dia histórico. A partir desta data, estamos fincando, de certa forma, um marco de pedra da Universidade aqui em Santos”, considerou.

O prefeito de Santos, Paulo Alexandre Barbosa, também destacou o caráter histórico da instalação da USP na cidade. “Hoje estamos dando concretude a esse processo.

Sempre tratamos este como um dos grandes projetos não só para Santos, mas para o Estado de São Paulo”, observou.

O edifício terá quatro pavimentos, com área construída de mais de 15 mil metros quadrados. O projeto executivo está estimado em R$ 3,6 milhões e a obra, em R$ 65 milhões. Além disso, também será restaurado o prédio da Escola Cesário Bastos, edifício histórico projetado por Ramos de Azevedo, onde atualmente é oferecido o curso de graduação em Engenharia do Petróleo, além de constituir polo das aulas presenciais dos cursos de Licenciatura em Ciências e de Especialização em Ética, Valores e Cidadania na Escola. A restauração está estimada em R$ 6 milhões. Para o início das obras de restauro, entretanto, espera-se a cessão total do prédio à USP por parte do governo do Estado, o que deve ocorrer até o final deste mês. O projeto do novo prédio foi desenvolvido preservando as características históricas do antigo edifício que abrigava a garagem de bondes.

Para o novo campus, na área de graduação, prevê-se o oferecimento dos cursos de Engenharia Mecânica e Naval voltada a petróleo e gás, Formação de Tecnólogos na área de Botânica, Geologia, Oceanografia, Administração com ênfase em Gestão Pública, Química com ênfase em Química Ambiental e/ou Química do Petróleo.

Na pós-graduação, serão oferecidos cursos de mestrado, doutorado, Especialização em Sistemas Logísticos e em Geociências e Meio Ambiente, Mestrado Profissional em Gestão de Cidades e em Gestão Costeira e Oceânica. O cronograma para a criação desses cursos estabelece prazo mínimo de 360 dias. O termo prevê também a integração da USP no Conselho de Administração e no Conselho Técnico da Fundação Parque Tecnológico de Santos.

Armazém 8 – Na mesma data, a USP também assinou contrato com a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) para uso de área e instalações do Armazém nº 8, localizado no Porto de Santos. No local, será implantada a Base de Pesquisa e Extensão da Universidade, que contemplará, dentre outras, atividades culturais, de extensão universitária, de navegação, de pesquisas hidrossedimentológicas e de geração de banco de dados compilados para apoiar projetos na região de Santos. “O Armazém 8 será parte integrante do campus da USP em Santos”, ressaltou o reitor.

A implantação da base se dará em três etapas. Na primeira fase, será feita uma reforma simples, como limpeza geral, regularização de pisos, conserto de telhado, pintura, instalação de luminárias etc.

A segunda etapa prevê a instalação de um módulo metálico para abrigar uma sala de aula para 60 alunos. Outros dois módulos serão instalados para ser usados como câmaras frigoríficas e outros quatro para sanitários. Além disso, haverá a adaptação das instalações elétricas e hidráulicas para a montagem das estruturas metálicas modulares do tipo contêineres. A implantação das duas primeiras etapas deverá ocupar uma área de cerca de 750 metros quadrados, que equivale à metade da área total do galpão.

A terceira etapa do projeto será a desmontagem e remontagem do galpão metálico existente e a execução da infraestrutura necessária para as novas instalações. Toda a estrutura deverá ser deslocada em aproximadamente 5 metros em direção ao mar, como parte do projeto de modernização do cais. Nessa última fase, será feita a complementação e remontagem da estrutura metálica existente, execução das novas instalações elétricas e hidráulicas, sistemas de climatização e ventilação, vedação e execução dos pisos internos e pavimentação externa, entre outros trabalhos.

O contrato assinado prevê também, para o local, a criação e gestão do Museu de Pesquisa na Antártida, como parte do Projeto Porto Valongo, incluindo a disponibilização do navio oceanográfico Prof. W. Besnard. Entre 1967 e 2008, o navio serviu à USP em suas pesquisas no mar, tendo realizado 9 mil estações oceanográficas. O navio, que está atracado próximo ao Armazém 8, sofreu um incêndio em 2008 e desde então está fora de operação.

Navio – A instalação da Base de Pesquisa e Extensão da Universidade no Armazém 8 funcionará como importante aporte para a mais nova embarcação oceanográfica da Universidade, o barco Alpha Delphini, recém-chegado ao Porto de Santos, vindo de um estaleiro em Fortaleza, onde foi construído. No dia 12 de agosto, o reitor João Grandino Rodas e o presidente da Fapesp, Celso Lafer, estiveram no Porto de Santos para marcar oficialmente a chegada da embarcação a São Paulo.

O Alpha Delphini é o primeiro barco oceanográfico inteiramente construído no Brasil e tem como objetivo primordial, com o navio Alpha Crucis, inaugurado em maio do ano passado, ampliar significativamente a capacidade das pesquisas oceanográficas da USP. Trata-se de uma embarcação com as características ideais para a maioria das instituições de pesquisa do Brasil, porque é um barco de porte médio, com um custo relativamente baixo, se comparado aos navios oceanográficos, e com condições de permitir estudos na plataforma continental para os quais há demanda muito grande. A autonomia de navegação do Alpha Delphini é de dez a 15 dias, dependendo do número de tripulantes, podendo operar em toda a faixa de 200 milhas marítimas da fronteira litorânea.

O custo total do barco foi de R$ 6 milhões. O programa da Fapesp destinou R$ 4,4 milhões para a construção da embarcação. Os motores e os equipamentos científicos foram financiados com recursos da USP.

Antes de chegar a São Paulo, o Alpha Delphini realizou, em julho, sua primeira expedição científica no litoral de Pernambuco, entre a ilha de Itamaracá e o arquipélago de

Fernando de Noronha. A próxima expedição está marcada para este mês.