Notícia

Jornal da Unesp

Rumo à excelência

Publicado em 01 dezembro 2001

Por Genira Chagas
Depois de oito meses de investigação e de reuniões com os Conselhos e coordenadores de Programas, a Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa (Propp) lança o Programa de Reestruturação do Sistema de Pós-Graduação da UNESP, com o objetivo de induzir os Programas desse Sistema a alcançarem padrão de excelência, reconhecimento social e conceitos superiores da Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). "Queremos garantir prestígio acadêmico à Universidade", diz o professor Marcos Macari, pró-reitor da Propp. Atualmente, o Sistema de Pós-Graduação possui 104 programas, alguns fortes, outros nem tanto, com problemas de ordens diversas. Macari acredita que a pós-graduação da UNESP precisa de ajustes. Para ele, não é interessante que a Universidade ofereça apenas uma gama enorme de programas. "O importante é que eles sejam fortes e expressivos", diz. Para isso, alguns programas hoje deficientes devem ser revistos, para obterem conceitos mais favoráveis da Capes. No triênio 1998/2000, a avaliação da Capes contemplou 97 programas: 31 mereceram conceitos iguais ou inferiores à nota três e nenhum atingiu o conceito máximo, sete. No diagnóstico prévio realizado pela Propp, verificaram-se problemas estruturais importantes em grande parte deles. Entre esses problemas, a dimensão inadequada do núcleo de NRD6 - docentes vinculados à instituição com regime de trabalho mínimo de trinta horas semanais e dedicação ao programa superior a 30% da carga horária contratada -;tempo médio para titulação maior que o recomendável; número impróprio de orientandos por orientador; falta de articulação entre as linhas de pesquisa e suas respectivas áreas de concentração; projetos de pesquisa em desacordo com suas linhas; produção científica desvinculada dos projetos; baixa produção científica ou sua distribuição desequilibrada, além da baixa participação dos estudantes nos projetos. A falta de uma boa integração entre a pós-graduação e a graduação também dificulta a obtenção de melhor avaliação. Além disso, o pouco envolvimento dos docentes do Programa na captação de recursos compromete o financiamento da pesquisa e a formação de infra-estrutura das unidades. Mais ainda, é oportuno produzir livros-textos para uso na graduação e na pós-graduação (veja quadro). A consulta aos Conselhos revelou, também, que a parte institucional da Universidade deixava a desejar, na medida em que era pouco intensa a interação da Reitoria com a administração acadêmica dos Programas. Há, porém, duas circunstâncias atenuantes da situação que se configura a partir do diagnóstico da Propp e dos conceitos atribuídos pelos avaliadores externos: a pós-graduação da UNESP foi a que mais cresceu entre as universidades públicas. No triênio 1998/2000, por exemplo, foram 97 programas avaliados, contra 76 no biênio 1996/1997. A outra circunstância foi o fornecimento de relatórios com omissão de dados à Capes ou fornecimento com informações incongruentes. Para mudar esta situação, o Programa de Reestruturação da Pós-Graduação da UNESP contempla a implementação de várias ações, como o estabelecimento de critérios mais rigorosos para a criação de novos programas; o preenchimento assistido pela Propp dos relatórios encaminhados à Capes; o fortalecimento da articulação entre a pós-graduação e a graduação; a redução do tempo de titulação; a fusão de programas estruturalmente frágeis e a elaboração, por cada Programa, de um Plano de Ação Trienal, formulado sob a responsabilidade de seu respectivo Conselho, para estabelecer as estratégias que ele julgue necessárias para adequação à meta que torna a pós-graduação uma estrutura fortalecida. "Me senti amparada", diz a psicóloga Claudete Ribeiro, professora de Psicologia da Forma do Instituto de Artes do câmpus de São Paulo e Coordenadora do Programa da pós-graduação da unidade. "Anteriormente, a política da nossa pós girava em torno de idéias, hoje temos um plano de ação", completa. Já incorporando alguns preceitos da reestruturação, o Programa de Comunicação e Poéticas Visuais, da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (FAAC), câmpus de Bauru, foi reformulado e aguarda a aprovação da Capes. "Tudo o que contribui com o melhor desenvolvimento do curso é bem-vindo", comenta o coordenador desse curso, o jornalista Antonio Carlos de Jesus. Vale destacar que o Programa de Reestruturação está inscrito no Plano de Gestão 2001/2004, ao qual se integram outros programas, cujas implementações também contribuirão para resolver os problemas existentes no Sistema da Pós-Graduação. Sem docentes qualificados, a tarefa de elevar o nível de qualquer universidade torna-se mais difícil. Neste contexto, o Programa de Capacitação de Docentes concede anualmente bolsas-deslocamento para que professores não-titulados freqüentem cursos de pós-graduação. "É um estímulo à formação desse pessoal em nível de mestrado e doutorado", argumenta o pró-reitor Macari. Uma universidade atuante demanda investimentos para a melhoria das condições de trabalho e o aumento da capacidade de pesquisa que somente o repasse do ICMS não é capaz de suprir. Daí a existência do Programa de Incentivo à captação de recursos. "O docente precisa considerar a captação como parte de suas atividades", pondera Macari. Com vistas ao desenvolvimento da pesquisa multidisciplinar, deverão ser instalados doze Centros Virtuais de Pesquisa nos próximos três anos. O estabelecimento de teias de comunicação possibilitará à universidade maior atuação em áreas específicas de pesquisa, como os projetos temáticos estimulados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e a aproximação de seus docentes com os de outras instituições. "Pela sua condição multicâmpus, a instituição precisa de um instrumento que possibilite o trabalho cooperativo", argumenta Macari. A Fundação para o Desenvolvimento da UNESP (Fundunesp) e a reitoria subsidiarão a implantação desses Centros Virtuais. Na Universidade, diversos desses centros já está sendo articulados. Na área de Humanidades, com reuniões na Faculdade de Ciências e Letras (FCL) do câmpus de Araraquara, articula-se a constituição do centro com a temática "Modernização do espaço urbano: cultura, materialidade, memória e cotidiano face aos desafios do Brasil contemporâneo". "A Universidade gratuita precisa mesmo de estímulos", considera o geógrafo Eliseu Savério Spósito, coordenador da pós-graduação da Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT), câmpus de Presidente Prudente, integrante desse centro em formação. Contribuirá também para a reestruturação do sistema o Programa de Internacionalização da Pesquisa, que pretende estimular o docente a publicar seus trabalhos por meio de financiamento da versão dos textos para o inglês e do custeio das taxas de publicação. "Vamos aumentar nossa presença na literatura científica mundial", afirma Macari. Dados quantitativos do Institute for Scientific Information (ISI), publicados no livro "O Perfil da Ciência Brasileira", apontam que, no período de 1991 a 1993, a UNESP teve uma contribuição discreta em termos de publicações. Apenas nas subáreas biológicas e biomédicas a instituição conseguiu colocar-se entre os dez centros de pesquisa que mais publicaram artigos científicos. SEM LACUNAS - PROGRAMA SUPRE DEFICIÊNCIA DE LIVROS DIDÁTICOS Afinada com a política de Reestruturação do Sistema de Pós-Graduação da UNESP, a Propp, em parceria com a Editora UNESP, criou o Programa de Edição de Livros Didáticos, voltado exclusivamente para docentes e pós-graduados da Universidade. O objetivo é a produção de livros para o ensino de terceiro grau e surge para suprir uma lacuna de mercado, resultado de uma tendência pedagógica que estimula a produção desse material pelo próprio professor. "Ao invés disso, ocorreu uma maciça tradução de livros, muitas vezes fora da realidade de nossa cultura", diz o filósofo José Castilho Marques Neto, diretor-presidente da Editora UNESP. Haverá suporte financeiro para a publicação de seis livros por ano. Apostilas, manuais, atlas e todo o material didático produzido pelo docente são candidatos potenciais a se converterem em livros. Para isso, o autor deve inscrever seu trabalho, até 20 de dezembro de 2001, na própria Editora. O docente que tiver sua obra publicada, na primeira edição receberá 30% do preço de capa de cada exemplar comercializado. Há seis anos, a Editora vem promovendo a edição de textos de docentes e pós-graduados da Universidade, por meio do Programa de Edição de Textos. Desde sua criação, já foram publicados 90 títulos, dois deles premiados com o Jabuti, láurea concedida anualmente pela Câmara Brasileira do Livro: Rosa Luxembrugo: os dilemas da ação revolucionária, de Isabel Loureiro, e História sem fim, de Maria Alice Rosa Ribeiro. (G.C.) PRINCIPAIS PONTOS DO PROGRAMA DE REESTRUTURAÇÃO - Estabelecimento de critérios mais rigorosos para a criação de novos programas; - Preenchimento assistido pela Propp dos relatórios enviados à Capes; - Fortalecimento da articulação entre a pós-graduação e a graduação; - Monitoramento do processo de avaliação interna;- - Redução do tempo de titulação; - Plano Trienal; e - Estímulo à Iniciação Científica.