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Roubo de TVs antecipa término de exposição no Butantã

Publicado em 19 agosto 2010

Quatro TVs de LCD de 40 polegadas utilizadas na exposição "As Grandes Epidemias" foram furtadas à luz do dia no Instituto Butantã, na zona oeste de São Paulo, na última terça-feira (17), obrigando o encerramento do evento por tempo indeterminado. Em comunicado aos colegas, obtido pela reportagem, Milene Tino de Franco, diretora do Museu de Microbiologia e responsável pelo evento, disse que "a exposição não recebeu o respeito que merecia".

"Com características interativas e tecnológicas (além do mais, gratuita), essa exposição veio confirmar a capacidade do Museu em contribuir com o setor cultural do Instituto, com qualidade e seriedade. Porém, (...) não recebeu o respeito que merecia (até hoje temos goteiras em cima de uma das TVs ...), culminando com esse desastroso episódio", escreveu. Procurada, Milene disse que só falaria se autorizada pela assessoria de imprensa do instituto, ligado ao governo do Estado. A reportagem solicitou a entrevista, mas não obteve resposta. O diretor do instituto, Otávio Mercadante, também não falou sobre o caso.

Em nota oficial, o instituto informou que "assim que notou o furto (...) registrou Boletim de Ocorrência no 51º DP, que dará prosseguimento às investigações." Segundo o órgão, a exposição foi financiada pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), no valor de R$96 mil. O Butantã prometeu adquirir outros televisores para o evento. E enfatizou que "tem ampliado serviços e implantado medidas para coibir atos isolados", como este.

De acordo com Isaias Raw, afastado desde setembro de 2009 da presidência da Fundação Butantã, e membro do conselho técnico e científico da fundação, a Secretaria de Estado da Saúde considera muito alto o custo para aumentar a segurança do local. Lanfranco Troncone, pesquisador do Laboratório de Farmacologia, teve um laptop roubado no local. "Não vemos ações efetivas. Não há câmeras, pessoal capacitado."

Incêndio

Em maio deste ano um incêndio destruiu milhares de exemplares de uma importante coleção de cobras e a polícia ainda apura as causas. Cientistas da instituição apontaram, após o incêndio, que os propósitos do instituto vêm sendo esquecidos pela atual administração, o que a direção contesta. (Fabiane Leite e Alexandre Gonçalves - AE)