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Rotina do jornalista perdeu funções, afirma pesquisa da USP

Publicado em 06 janeiro 2014

Para investigar mudanças no jornalismo e no perfil do jornalista, a coordenadora do Centro de Pesquisa em Comunicação e Trabalho da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP), Roseli Fígaro, avaliou as transformações ocorridas nos meios de comunicação, por meio das novas tecnologias e da cultura de convergência midiática, que impactaram os processos de produção de notícias.

“Os produtos jornalísticos impressos, televisivos ou radiofônicos são feitos de maneira completamente diferente do que há cerca de 20 anos”, disse Roseli, responsável pelo estudo conduzido em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Ela destaca que uma série de funções desapareceu da rotina do jornalista, como a apuração e pesquisa.

“O tempo e o espaço, comprimidos pelas possibilidades das tecnologias de comunicação e de informação, foram assimilados nos processos de produção de modo a reduzir o tempo para a reflexão, a apuração e a pesquisa no trabalho jornalístico. O espaço de trabalho encolheu e ao mesmo tempo diversificou-se, transformando as grandes redações em células de produção que podem ser instaladas em qualquer lugar com internet e computador. O jornalismo on-line, em tempo real, os blogs e as ferramentas das redes sociais são inovações nas rotinas profissionais”, disse à Agência Fapesp.

Concluído no último ano, o estudo é resultado da análise das respostas de 538 jornalistas. Os dados também estão no e-book ‘As mudanças no mundo do trabalho do jornalista (Editora Salta), lançado no segundo semestre de 2013. As questões abordam as mudanças no perfil do profissional e o que o jornalista pensa sobre o próprio trabalho e sobre o jornalismo.

A obra aborda temas como a precarização dos vínculos empregatícios, as diferenças entre gerações de profissionais, a formação superior, a produção de conteúdo e os hábitos de consumo cultural.