Notícia

Jornal do Comércio (RS)

Robótica conquista mercado brasileiro

Publicado em 08 setembro 2005

Salão mostra a nova geração de robôs e produtos inteligentes que fomentam negócios e pesquisas

Aproximar as novas tecnologias do dia-a-dia das pessoas. A Robótica 2005 — Salão Internacional de Robótica e InteIigência Artificial — que começa hoje, em São Paulo, deverá reunir alguns dos principais nomes de instituições de ensino e empresas brasileiras para, através da apresentação da nova geração de robôs, produtos inteligentes e tecnologias avançadas, fomentar o desenvolvimento de negócios e de pesquisas que possam despertar cada vez mais o interesse do público leigo para estas novidades.
Para o professor doutor do Departamento de Mecatrônica da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) e responsável pela coordenação técnica do evento, José Reinaldo Silva, a indústria está bem alinhada com as demandas dos consumidores. Mas, ressalta que ainda existem muitas diferenças entre os países mais desenvolvidos e os demais. "Nos países mais ricos, a venda de robôs está chegando à saturação e a população convive bem com isto", avalia.
No Brasil, ainda há muito espaço para crescer, já que esta é uma tecnologia que não está bem difundida. Este não é o momento, por exemplo, de se pensar em robôs domésticos, que desempenham funções anteriormente executadas por humanos. Mas, na área industrial, temos bons exemplos. "Temos um grande potencial no desenvolvimento de soluções, inclusive no Rio Grande do Sul", afirma.
Outro desafio é a área da educação. Silva afirma que é possível implementar soluções em escolas públicas que tenham um impacto pequeno em termos de custos. "As escolas precisam se modernizar e utilizar a tecnologia como um fator a mais de integração. A internet e outras ferramentas podem ser fundamentais para estimular os alunos", diz.
Na área de entretenimento, o especialista ressalta que estão faltando investimentos e criatividade. Para solucionar isto, está prevista a realização do mercado global de automação para verificar o que pode ser feito para que ele seja atrativo para os investidores. "Estamos pleiteando que o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) fomente esta pesquisa, que será feita em rede, entre 15 estados, inclusive o Rio Grande do Sul", diz.
Mas, alguns exemplos começam a aparecer. A Cientistas Associados, empresa incubada no Centro Incubador de Empresas Tecnológicas (Cinet) de São Carlos (SP), desenvolveu um time de cinco robozinhos que jogam bola, driblando e diferenciam os robôs colegas dos robôs adversários. Cláudio Adriano Policastro, gerente da empresa, explica que a intenção é criar um produto para entretenimento, com placar, onde cada robozinho será guiado por um controle - ou seja, numa partida de dois times, até dez pessoas entrariam no embate.
Este é ainda projeto, na medida em que o foco da empresa hoje é o software que faz o time funcionar, controlando a parte mecânica e a velocidade. "Numa primeira fase, esses robôs podem ser vendidos para universidades que fazem pesquisa na área de computação e automação", afirma. Dessa maneira, poderiam obter mais verba para desenvolver o kit Sci-Game - como será chamado o jogo. "Como os robôs são feitos nos padrões da Robo Cup (disputa internacional de futebol de robô), alguns centros de pesquisa podem usar nosso modelo como base para testar novas tecnologias", diz Policastro.
Os robôs funcionam em time ou separadamente e, segundo o pesquisador, há universidades interessadas em adquiri-los. "Fizemos uma pesquisa de mercado e diversas instituições demonstraram interesse." Um ponto favorável ao projeto da empresa é o preço: embora não esteja definido, o kit deve custar cerca de R$ 8 mil. O kit importado mais barato custa cerca de US$ 4 mil, ou R$ 10 mil.
Até agora, somando bolsas e material, foram investidos no projeto cerca de R$ 1 milhão - recursos da Fundação de Amparo à Pesquisado Estado de São Paulo (Fapesp) -, e a previsão é que em dezembro os craques de metal possam ser adquiridos. Policastro acredita que em um ano e meio já terá retorno de boa parte do que foi investido. "Visamos não só ao mercado interno como também centros de pesquisa no exterior." A equipe de 33 pessoas da Cientistas Associados já terminou os protótipos e está pronta para sair da incubadora. "Foi bom ter essa estrutura física, mas agora sei que estamos prontos para andar sozinhos", diz.