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Robôs domésticos estão mais perto da realidade

Publicado em 25 julho 2006

Por Thiago Romero

As estatísticas apontam para mais de 1 milhão de robôs em operação na indústria mundial, mas atualmente é baixo o nível de pesquisas voltadas para a criação de novos robôs industriais.
Segundo especialistas, a tendência, especialmente nos continentes asiático e europeu, aponta para a massificação da utilização dos robôs visando ao aumento de sua interação com os seres humanos.
"Indústrias totalmente automatizadas são um paradigma ultrapassado. Não é algo economicamente viável", disse Glauco Augusto Caurin, professor da Escola de Engenharia Mecânica de São Carlos, da Universidade de São Paulo (USP), em simpósio realizado na 58ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência.
"A robótica industrial é importante, mas são os robôs que devem cooperar e se adaptar ao ser humano. Não é o ser humano que deve se adaptar à máquina", disse.

Futuro
Segundo o pesquisador, a meta da indústria mundial é fazer com que, em um futuro cada vez mais próximo, cada residência tenha um robô, principalmente para realizar tarefas que nem sempre o homem tem vontade de fazer. E essa realidade já começou com um marco importante para o setor: a venda, em 2005, de mais de 1 milhão de robôs aspiradores de pó.
Caurin apresentou os resultados do projeto "Habilidades sensório-motoras aplicadas ao desenvolvimento de mãos artificiais robotizadas", que tem apoio da FAPESP, Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo.
Para ele, considerando que os robôs devem ser utilizados para aumentar a capacidade humana, nada foi mais desafiador do que desenvolver um sistema que possa ser acoplado ao indivíduo.
"Nesse contexto, criamos com tecnologia nacional o protótipo de uma mão artificial. O aparelho tem mobilidade independente em cada um dos dedos e foi desenvolvido a partir de um plástico poliuretano à base de óleo de mamona biocompatível, de modo a minimizar os níveis de rejeição do organismo humano", explica Caurin.
O pesquisador lembra que uma prótese equivalente em outros países custa cerca de R$ 72 mil.
Sadek Absi Alfaro, professor do Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade de Brasília (UnB), chamou a atenção para a falta de incentivos no Brasil, tanto na esfera pública como privada, para o desenvolvimento de novos robôs.
"Enquanto na Coréia do Sul o governo determina que 1% do PIB do país seja aplicado em pesquisas sobre robótica, o Brasil ainda não conta com nenhuma política para o desenvolvimento do setor. O brasileiro ainda acredita que o robô pode tirar empregos da indústria nacional", lamentou.
De acordo com Alfaro, existem cerca de 7 mil robôs em operação na indústria brasileira, o que representa menos de 1% da produção mundial de robôs. "Na indústria automobilística japonesa, por exemplo, existe um robô para cada dez trabalhadores. No Brasil, apesar de não termos um número exato, estima-se um robô para cada mil trabalhadores", disse.

Agência Estado