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Roberto Carlos: Show, "censura" e biografia do Rei

Publicado em 23 maio 2013

Por Elemara Duarte

Se vocês pretendem saber quem Roberto Carlos é, os livros não-autorizados sobre a vida do músico podem lhe dizer. "Jovem Guarda: Moda, Música e Juventude" (Estação das Letras e Cores Editora), por exemplo, é a mais recente publicação, fruto de trabalho acadêmico, que cita o nome do artista junto de outros ícones do movimento. A saída de circulação já foi pedida em notificação pelos advogados do Rei. Roberto Carlos faz show em BH neste sábado (25), às 21h30, no Mineirinho.

Por se tratar de um livro acadêmico a historiadora e professora Maíra Zimmermann nunca imaginou que seu estudo fosse causar tanto barulho. Lançado em abril deste ano, a publicação é fruto da dissertação de mestrado "Moda, Cultura e Arte", que a autora fez em 2009. A notificação diz que o livro "traz detalhes sobre a intimidade" do músico. E que ele "foi escrito, editado e publicado sem consentimento do ‘Notificante’".

Falando sério

"É uma pesquisa indicada para publicação pela banca examinadora e com selo da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), isso é atestado de uma pesquisa acadêmica de excelência", justifica Maíra, que na "contra-notificação" expôs semelhante resposta.

O livro estuda a formação da cultura juvenil nos anos 1960, no Brasil. "Por meio de revistas da época, percebi que houve uma mudança abrupta na publicidade, nos anos 1960", explica Maíra.

Entre os parâmetros, a pesquisadora analisou os artistas ligados aos assuntos de moda. "Pesquiso como a roupa funciona na comunicação e na mudança de costumes".

A apresentação da livro é da cantora Wanderléa. "O papel dele (Roberto Carlos) é super importante. Mas também dela (Wanderléa), da Martinha, da Lilian (da dupla Leno e Lilian), da Vanusa e de tantas outras".

Pode torcer o nariz

Mesmo que o Rei torça o nariz para boa parte dessas publicações, elas continuam pelas livrarias e, muitas vezes de forma gratuita pela internet para alegria dos fãs do maior representante do romantismo brasileiro.

Exemplo disso é "Roberto Carlos em Detalhes" (Editora Planeta) biografia publicada há sete anos e resultante do trabalho de pesquisa de 15 anos do jornalista Paulo Cesar de Araújo. "Com a proibição, Roberto Carlos só me deu mais leitores. Como autor, eu ganhei. Sou cada vez mais lido", afirma Araújo.

O trabalho ainda está proibido, mas o autor conta com a aprovação da chamada "Lei da Biografia". "Não somos ilegais. Estamos amparados pela Constituição de 1988, que fala da livre manifestação intelectual, artística e científica", diz Araújo.

Se a lei for aprovada, uma edição especial da biografia poderá ser relançada. O best-seller vendeu 47 mil exemplares, da tiragem de 60 mil, mas 11 mil foram recolhidos pelo artista, sob amparo da Justiça.

Araújo estará no dia 29 de maio, às 15 horas, no Fórum das Letras de Ouro Preto, para debate sobre o assunto com o deputado Newton Lima, autor do Projeto de Lei ainda em tramitação sobre o assunto.

A assessoria de impressa do Grupo Leya, dono de vários selos editoriais, confirma que existe negociação com Roberto Carlos para publicar sua biografia – esta, sim, sob a batuta do Rei – e que deve chegar às livrarias em 2016.

O Rei é quem quer decidir como deve ser visto através do retrovisor

Em 1993, o jornal Notícias Populares publicou matéria sobre o acidente que Roberto Carlos teria sofrido na infância, no qual teria perdido uma das pernas. O jornal também foi processado.

Em 1983, o jornalista Ruy Castro foi levado à Justiça por Roberto Carlos por um perfil publicado na revista Status, sobre a vida amorosa do cantor e compositor. O artista venceu o embate.

Em 1979, Roberto Carlos também conseguiu que fosse censurado o livro “O Rei e Eu” escrito pelo ex-mordomo dele, Nichollas Mariano.

Esse cara pode ser mala, gordo ou "trava"

No show de sábado, Roberto Carlos canta só uma música inédita em palco mineiro: "Esse Cara Sou Eu". Até a manhã de quarta (22), haviam apenas entradas para o camarote no valor de R$ 650 por pessoa.

A música foi incluída no compacto de mesmo nome lançado no ano passado. Depois de virar trilha de novela, alcançou mais de 20 milhões de visualizações no YouTube. A criatividade brasileira pegou carona no hit e o fez de alvo para dezenas de paródias no mesmo site.

"Esse Mala Sou Eu", "Esse Gordo Sou Eu", "Esse Cara ‘Num é’ Eu" e até "Essa Trava Sou Eu", na qual um travesti toma um "boa noite cinderela", já alavancaram outros milhões de "views". Os advogados do Rei não sabiam disso.