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G1

Robalo usado na moqueca está impróprio para consumo no ES

Publicado em 14 novembro 2016

Por Wesley Ribeiro

Os metais pesados que apareceram nas amostras coletadas no Complexo de Tubarão, em Vitória, incluindo o chumbo, também foram encontrados em algumas espécies dos estuários e manguezais, segundo a pesquisadora da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) Iara da Costa Souza.

Esse é o caso do caranguejo, do camarão, da ostra e do robalo-peva. Nesse peixe, utilizado comumente na tradicional moqueca capixaba, a concentração de arsênio e mercúrio está acima do permitido para o consumo humano.

A pesquisadora explicou que, segundo a Agência Ambiental Norte Americana (USEPA), o consumo recomendado de arsênio é de 21 microgramas ao dia, mas no músculo dos peixes examinados foi encontrada uma quantidade até seis vezes maior.

No caso do mercúrio, a recomendação é de 11,2 miligramas ao dia e os exames mostraram quantidade até cinco vezes maior. E isso pode representar um risco para a saúde dos capixabas, principalmente para quem se alimenta do peixe mais de três vezes por semana.

A respeito das demais espécies citadas, a pesquisadora não detalhou os metais e percentuais exatos encontrados, mas destacou que a presença em si de metais não essenciais nessas espécies já é um indicativo de que há desequilíbrio e contaminação nos manguezais capixabas, incluindo o estuário de Santa Cruz, no litoral Norte do estado.

Metais encontrados em manguezais

Essenciais: Todos aparecem naturalmente e desempenham diversos papéis no metabolismo dos seres vivos. Foram achados: ferro, níquel, cobre, cromo, magnésio, manganês, selênio, zinco e boro.

Não-essenciais: Todos são tóxicos. Foram encontrados: titânio, bismuto, tântalo, nióbio, alumínio, vanádio, arsênio, rubídio, estrôncio, prata, cádmio, mercúrio e chumbo.

De A Gazeta