Notícia

Correio Popular (Campinas, SP)

RMC: cobertura vegetal melhora 134%

Publicado em 18 março 2010

A cobertura vegetal da Região Metropolitana de Campinas (RMC) aumentou em quase 20 mil hectares na década e passou a ocupar 8,2% do território, segundo o Inventário Florestal do Estado de São Paulo, divulgado ontem pelo Instituto Florestal. Há dez anos, a vegetação ocupava apenas 3,4% da RMC. A região saiu de 12,8 mil para 30,01 mil hectares de matas nativas, um crescimento de 134% na década. A cidade com maior proporção é Itatiba (14,8%), mas foi Sumaré que obteve o principal salto: saindo de apenas 32 hectares de mata nativa para 389 hectares, um crescimento de mais de 1 mil por cento. Campinas cresceu 143% e tem hoje 5,58 mil hectares de matas, que ocupam 7% do município.

Esse crescimento florestal é resultado de dois fatores, segundo o Instituto Florestal. Primeiro, a região está plantando mais. Segundo é que a nova tecnologia de apuração da quantidade de verde aumentou em quatro vezes a possibilidade de observação das matas paulistas. No inventário de dez anos atrás, foram usadas imagens do satélite brasileiro CBERS para o levantamento das áreas e agora o estudo usou o japonês Alos, de maior resolução.

No Estado, a cobertura vegetal aumentou em cerca de 1 milhão de hectares e passou a ocupar 17% do território paulista. Há dez anos, era 13%. Segundo o Instituto Florestal, São Paulo tinha 100 mil fragmentos de vegetação no inventário anterior e, agora, são 300 mil. Os dados, segundo os técnicos do órgão, vão ajudar na fiscalização, no rigor dos licenciamentos ambientais e no aperfeiçoamento da legislação, além de auxiliar em estudos, como o Programa de Pesquisas em Caracterização, Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade do Estado de São Paulo (Biota-Fapesp).

Há dez anos, Campinas tinha apenas 2,6% de seu território com vegetação nativa — hoje, 7%. "Houve uma evolução importante no período, resultado de ações do poder público, como aplicação de leis, incentivos e compensação ambiental, além de um trabalho constante do Ministério Público, quando tanto o setor público quanto o privado responderam", disse o secretário municipal de Meio Ambiente, Paulo Sérgio de Oliveira.

Uma das áreas que colaboraram para o incremento do verde em Campinas foi o Parque Linear Rio das Pedras, que começou a ser implantado em 1998 e hoje tem mais da metade concluído. O primeiro trecho está pronto — vai da nascente do Rio das Pedras, no Alto do Taquaral, até a Rodovia D. Pedro I. Houve o reflorestamento ciliar na área. Esse projeto é finalista no Prêmio Melhor Prática em Gestão Ambiental 2010, conferido pelos ministérios do Meio Ambiente e das Cidades. Na RMC, Sumaré também disputa o título.

Campinas tem hoje um passivo ambiental de áreas verdes estimado em 64 milhões de metros quadrados. Para tentar zerar esse déficit, a Administração municipal decidiu criar o Banco de Áreas Verdes e conceder incentivos fiscais que vão de descontos de 15% até isenção do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) para proprietários de trechos urbanos que fizerem reflorestamento e preservação de matas nativas.

Além disso, a Prefeitura vai ampliar de 10% para 20% do total que deverá se manter permeável em novos parcelamentos do solo, implantação de projetos habitacionais, industriais, comerciais ou de serviços em terrenos ou áreas construídas acima de 1,5 mil metros quadrados. A intenção é chegar a 20% de cobertura vegetal em Campinas, informou o secretário.

 

Sumaré tem o maior salto, mas ainda precisa evoluir

Sumaré conseguiu saltar de 32 para 389 hectares de vegetação nativa na década e foi o município que mais cresceu no período na RMC, multiplicando por 12 a quantidade de verde. Mesmo com o crescimento, ainda é uma das cidades com menor proporção na região, com 2,5% de matas no território. Só não está em último lugar porque Hortolândia consegue ser mais desértica, com somente 2% de matas nativas.

Para o secretário de Meio Ambiente, Waldemir Ravagnani, o ideal seria ter 20% de cobertura vegetal, mas ele admite que, no caso de Sumaré, atingir essa meta vai demorar muito. "Tivemos muito desmatamento, temos muitas áreas de preservação permanentes invadidas, mas, mesmo assim, estamos conseguindo melhorar, com vários projetos", afirmou Ravagnani. Um deles é o de reflorestamento do Horto Florestal, que receberá, nos próximos dias, o plantio de 14 mil mudas de árvores, segundo a Prefeitura.

O projeto Carbono Zero concorre hoje ao prêmio Melhor Prática em Gestão Ambiental 2010, conferido pelos ministérios do Meio Ambiente e das Cidades — a Administração está neutralizando a emissão de gás carbônico de prédios públicos do Município com o plantio de árvores. Para compensar os gases emitidos em 2009, serão plantadas cerca de 5 mil árvores.

Começa hoje um curso de recuperação de nascentes das áreas urbanas e rurais, que pretende formar pessoas da comunidade para atuar na vegetação ciliar.