Notícia

Jornal do Commercio (RJ)

Riscos para ricos e pobres

Publicado em 05 outubro 2005

Rendas elevadas, mais acesso à comida, alteração de hábitos e piores índices de colesterol e obesidade. O conhecido caminho percorrido pelas doenças do coração não é mais visto apenas nos chamados países do primeiro mundo.
Pesquisa que será publicada na edição de maio da "PLoS Medicine" mostra que problemas como obesidade e níveis elevados de colesterol cresceram de forma assustadora tanto nos países em desenvolvimento como nos mais pobres. O trabalho utilizou dados como renda per capita e índices de massa corpórea (IMC) obtidos em cem países. Vários outros indicadores foram analisados.
Pelos cálculos realizados por Majud Ezzati, da Escola de Saúde Pública de Harvard, e colaboradores, os números do IMC e do colesterol de uma população crescem de forma vertiginosa até uma renda per capita de US$ 12,5 mil para mulheres ou de US$ 17 mil, no caso dos homens. Apenas para comparação, enquanto o brasileiro tem uma renda per capita de US$ 2,8 mil, os americanos chegam aos US$ 37,3 mil.
O artigo "Rethinking the Diseases of Affluence Paradigm" mostra que o aumento da renda está diretamente associado com os aumentos do IMC e dos níveis de colesterol. Outro fator que causa um impacto maior sobre o coração das pessoas é o fato de que mais e mais habitantes da Terra vivem em cidades. Isso altera, de forma drástica, o padrão alimentar e de vida das pessoas.
Para Ezzati e colegas, está claro que o crescimento do risco de desenvolver doenças do coração ocorre de forma mais concentrada em países pobres ou em desenvolvimento do que entre os mais ricos. Depois de se atingir o ponto de viragem da renda per capita, os problemas chegam a decrescer em alguns casos.
A partir dos resultados obtidos pelos pesquisadores de Harvard, a recomendação é bastante recorrente. Prevenir a obesidade, controlar a pressão sangüínea, o colesterol e o consumo de cigarro não são medidas que devem ser adotadas, a partir de agora, apenas entre as populações mais ricas do mundo.
Agência Fapesp