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Cruzeiro do Sul online

Risco de deslizamento será monitorado

Publicado em 09 janeiro 2010

Notícia publicada na edição de 09/01/2010 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 4 do caderno C - o conteúdo da edição impressa na internet é atualizado diariamente após as 12h.

Especialistas do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) elaboram um projeto inédito de monitoramento de risco de deslizamentos na região metropolitana de São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Recife e Salvador além de Campos do Jordão, Petrópolis e áreas da Serra do Mar.

A ideia é juntar a experiência dos dois centros de pesquisa - o Inpe nas previsões e modelos meteorológicos e o IPT na análise das situações de risco de deslizamento de encostas - e montar um sistema de alerta que previna tragédias como a de Angra dos Reis, onde morreram pelo menos 52 pessoas. Estamos fazendo um protótipo que tem que ser testado e validado para depois ganhar escala, diz o climatologista Carlos Nobre, pesquisador do Inpe.

Dinâmica dos deslizamentos

Na próxima semana, técnicos dos dois institutos têm reunião com o vice-governador de São Paulo, Alberto Goldman, e com o secretário de Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, para apresentarem a proposta. Ainda temos muitas perguntas sem resposta, estamos em uma fase embrionária, registra o diretor-presidente do IPT, João Fernando Gomes de Oliveira.

Há dez anos o Inpe vem estudando a dinâmica dos deslizamentos de terra que ocorrem depois de intensas chuvas. Pesquisadores trabalham num projeto de R$ 1,5 milhão, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), que instalou oito pluviométricos automáticos na Serra do Mar. Com eles é possível saber em tempo real o volume da chuva.

O IPT, na outra vertente, é o braço técnico do plano de prevenção de riscos que identificou áreas ameaçadas em 74 municípios de São Paulo e existe há 20 anos. Se chove muito em determinada área de risco, técnicos do IPT ou treinados pelo instituto vão ao local conferir os sinais que identificam a possibilidade de deslizamento. Conforme a situação, disparam o alarme para retirar a população.

Há três pontos importantes em discussão no projeto do Inpe-IPT. O primeiro trata de conseguir coletar mais dados para alimentar o sistema com o máximo de informações sobre áreas de risco (características do solo, vegetação, declividade, por exemplo) e a partir daí desenvolver modelos. O segundo é integrar as informações do Inpe sobre clima com a base do IPT. Isto significa desenvolver um software que cruze a informação de uma tempestade em determinada região com o comportamento daquele terreno submetido a certo volume de água. Temos que sobrepor estes dois mapas para saber qual o risco de deslizamento naquela região, explica Oliveira. O terceiro ponto é logístico. Temos que definir como aquelas informações vão fluir, como vamos comunicá-las à população, continua.

O orçamento inicial de US$ 2 milhões para o projeto não inclui o custo com levantamentos geotécnicos - que estimam, por exemplo, qual o volume de chuva que coloca em risco um lugar.

(Fonte: Agência Fapesp)