Notícia

Jornal do Commercio (RJ)

Risco de arritmia cardíaca em atletas de ponta é maior

Publicado em 11 setembro 2005

Coração - Médicos destacam necessidade de exames

Os exemplos nos últimos tempos são vários. No caso brasileiro, a morte do jogador Serginho, do São Caetano, em pleno gramado do Morumbi, há um ano, é o mais conhecido. Segundo relatório que acaba de ser divulgado, os atletas de competição estão três vezes mais sujeitos a problemas cardíacos decorrente de arritmias do que as demais pessoas da população.
O extenso trabalho, lançado esta semana pela Sociedade Européia de Cardiologia (SEC), explora o assunto com profundidade. Uma das análises acompanhou 2.640 atletas entre 1974 e 2004. Desse universo, 345 são considerados do grupo de elite internacional. Da amostra estudada, 62 casos de ataques do coração foram registrados. Em 38 deles a ressuscitação cardíaca foi feita com total sucesso.
Outra pesquisa, realizada pelo Centro de Medicina Esportiva da Pádua, na Itália, também identificou o mesmo problema, em uma amostra formada por atletas com menos de 35 anos de idade.
Entre 34 mil indivíduos analisados, 621 foram proibidos de praticar esportes de alto nível, exatamente por causa das anomalias cardíacas. Além de mostrar que o problema é uma realidade - e que pessoas interessadas em praticar esportes de competição precisam passar por detalhados testes clínicos -, os pesquisadores da SEC analisaram alguns fatores que podem potencializar os problemas no coração.
A investigação mostrou que os esteróides anabolizantes são as substâncias ilícitas mais perigosas para os atletas. As pesquisas realizadas pela SEC mostram que os anabolizantes, usados normalmente para melhorar o rendimento físico, são os maiores responsáveis pelos ataques do coração. Por isso, a recomendação é que essas drogas sejam banidas do universo esportivo.
Apesar de todos os problemas levantados pelo estudo, o relatório europeu não defende a tese de que a prática de esportes seja nociva, muito pelo contrário. Outros estudos também citados no documento atestaram que a atividade física reduz os riscos do aparecimento de doenças cardíacas. Pessoas que fazem atividades físicas moderadas têm 40% menos chances de morrer de problemas no coração, na comparação com indivíduos sedentários.

Agência Fapesp