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Arte e Educação

Riqueza é Diversidade

Publicado em 20 maio 2018

Quem descobriu o Brasil? Esta pergunta hoje tem outra resposta da que se dava há décadas atrás. Pela história que foi passada, os portugueses chegaram ao Brasil em 1500 e foram – erroneamente – considerados pela história os responsáveis pelo descobrimento do Brasil. Mas esta história é tão contraditória que ela mesma conta que os portugueses chegaram e encontraram aqui os índios. Ora, mas se já havia gente aqui, como quem chegou depois é o descobridor? O cruel da história é que por esta visão, somos levados a não ver os índios como gente, civilizada. Mas eram e são gente, e possuíam desde lá, suas sociedades, civilizações e cultura, bem diferente do modelo europeu, mas tinham.

Outro fato curioso, é que há um consenso entre historiadores de que aqui no Brasil, haviam cerca de 8 milhões de pessoas, enquanto em Portugal haviam cerca de 1 milhão. Como se já não bastassem chegar atrasados, ainda eram minoria! De fato, os portugueses não descobriram nada, eles invadiram e essa é a nossa história real. Mas agora não adianta voltar e reverter ou refazer o que já foi feito, o que podemos fazer a partir de agora é repensar nossos modos de vida e cultura, e aprender a dar o devido valor a cada pessoa e respeitar suas diferenças, e mais importante: tentar aprender com o outro, coisas que podemos ignorar, mas que podem possuir visão mais avançada do que a que possuímos.

Dentre as tantas coisas que podemos aprender com os índios é sobre agricultura. Embora haja um grupo de pessoas que exaltem os grandes agricultores e pecuaristas como sendo os grandes heróis nacionais por produzirem muito alimento para muita gente, por trás deste discurso há uma realidade cruel: os proprietários de fato “alimentam” muita gente, desde que paguem pelo alimento que ele produz. E alguém pode pensar: justo, ele produziu, tem todo direito de receber pelo investimento feito e pelo lucro que ele merece. Esta é a visão capitalista, europeia, americana, imperialista. Na visão indígena, pra você comer, você não precisa pagar, basta ir na natureza colher, preparar e comer, e mantendo a biodiversidade, sempre haveria alimento suficiente para todos, em uma área de todos, diferente da visão ruralista em que uma pessoa domina enormes quantidades de terra, degrada o meio ambiente pra produzir um só tipo de produto.

Os índios tinham a floresta como um grande jardim, e ao contrário do que muitos pensem: a maioria das plantas são comestíveis, e isso tem motivado pesquisas científicas. Talvez aí esteja a grande diferença na saúde dos índios, e algo que estamos cansados de ouvir: precisamos tem uma alimentação diversificada. Mas boa parte ainda acha que o arroz com feijão e carne pode suprir suas necessidades. Não! Esse alimento é bom, pode ser considerada a gasolina, mas se tomarmos um carro, que é uma máquina como exemplo, podemos ver que até uma máquina precisa de mais coisas do que só o combustível para funcionar: precisa de gasolina, óleo, água, graxa, bateria… porque não basta ter combustível, é preciso também manter as diversas peças e componentes que fazem parte do conjunto.

Nosso corpo precisa de muito mais do que energia para se manter vivo, precisamos de alimentos para nos auxiliarem nos combates à doenças, que nos auxiliem na limpeza do nosso organismo, que dêem manutenção nos diversos órgãos e membros do nosso corpo, das nossas células, dos nossos neurônios… e só arroz com feijão e carne ou uma outra pequena mistura jamais irão dar conta de tanto trabalho. Por isso precisamos lutar par manter nossas florestas, e ainda mais, expandi-las, precisamos aprender a viver de forma sustentável, dialogando com a natureza e não a expulsando do nosso caminho e matando sua diversidade que só nos auxilia. Para entender mais sobre isso, sugiro que assista a reportagem do Globo Repórter que fala exatamente sobre a diversidade das nossas florestas. Os índios estão há anos luz à frente de quem luta pela posse de terras para o uso degradante da agropecuária que só enriquece uns e empobrece outros e a própria natureza.

ASSISTIR MATÉRIA SOBRE AS PLANTAS ALIMENTÍCIAS NÃO CONVENCIONAIS

Fontes:

CUNHA, Manuela Carneiro da (org.). 1992. História dos índios no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, Secretaria Municipal de Cultura, FAPESP

LARAIA, Roque de B. Cultura: um conceito antropológico. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor LTDA, 2001.

Recomendações:

FILME MARTÍRIOFILME MARTÍRIO – Documentário sobre a luta dos povos indígenas pelas poucas terras que lhes restaram.