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Rios de SP têm menor capacidade de interagir com metais

Publicado em 03 agosto 2012

Uma das hipóteses para explicar essa variação pode estar relacionada à mudança do tipo de vegetação no entorno dos rios da região, que nos últimos anos passou a ser composta em grande parte pela cultura da cana-de-açúcar. As constatações são de um estudo de mestrado, realizado com Bolsa da FAPESP.

Os resultados do estudo serão apresentados em setembro em Hangzhou, na China, durante o 16o Encontro Internacional de Substâncias Húmicas, promovido pela Sociedade Internacional de Substâncias Húmicas (IHSS, na sigla em inglês).

Durante o estudo, Amanda Maria Tadini avaliou a capacidade de complexação (interação) de cobre e crômio por substâncias húmicas - moléculas formadas a partir da degradação de restos de plantas e animais presentes em corpos aquáticos e que possuem a capacidade de inibir ou aumentar a disponibilidade de metais - presentes no rio Preto, na região de São José do Rio Preto, em uma área de plantação de cana-de-açúcar.

Para realizar a avaliação, Tadini coletou amostras de substâncias húmicas do rio, que é utilizado, entre outras finalidades, para o abastecimento e irrigação da região. O estudo foi realizado no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Química do Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas (Ibilce) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de São José do Rio Preto.

As análises das amostras de substâncias húmicas individualizadas (tais como foram extraídas do rio) e fracionadas (em tamanhos moleculares diferentes) revelaram que apenas 2% do total da composição de cobre e de crômio presentes no reservatório está complexado a substâncias húmicas. Mostraram também que praticamente os 98% restantes estão livres para se depositar em sedimentos do rio ou interagir com os organismos que nele vivem.

"A disponibilidade de metais no ambiente será maior do que a de outros que possuem substâncias húmicas com maior capacidade de complexação de metais", disse Márcia Cristina Bisinoti, professora do Departamento de Química e Ciências Ambientais do Ibilce e orientadora do estudo, à Agência FAPESP.

De acordo com Bisinoti, uma das hipóteses para explicar essa menor capacidade de complexação de metais pelas substâncias húmicas de rios do noroeste paulista em comparação com as de corpos aquáticos de outras regiões no mundo pode estar relacionada à mudança recente do tipo de vegetação no entorno dos reservatórios.

Nas últimas décadas, as plantações de café, laranja e outras culturas que estavam presentes no entorno dos corpos aquáticos da região deram lugar à cana-de-açúcar. Consequentemente, o tipo de folha que passou a chegar ao rio e, após se degradar, constituir as substâncias húmicas, tornou-se diferente.