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O Povo

Rio+20 deverá ter foco em economia verde inclusiva

Publicado em 11 março 2012

A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), que será realizada no Brasil em junho, não terá o caráter legislativo da Eco-92, cujo legado transformou para sempre a perspectiva mundial sobre o tema do meio ambiente.

Mas a Rio+20 poderá alcançar um impacto planetário de magnitude semelhante ao da Eco-92, contanto que consiga superar o desafio de integrar de forma equânime os três pilares do desenvolvimento sustentável: as dimensões ambiental, econômica e social.

A defesa dessa integração é o cerne da posição brasileira na conferência, de acordo com o embaixador Luiz Alberto Figueiredo Machado, sub-secretário-geral de Meio Ambiente, Energia e Ciência e Tecnologia do Ministério das Relações Exteriores (MRE).

"A Rio+20 é uma conferência sobre desenvolvimento sustentável, e não apenas um debate sobre meio ambiente. A intenção da presidência da conferência é que as dimensões ambiental, social e econômica tenham o mesmo peso no debate. O governo brasileiro entende que, se os desafios do século 21 não forem vistos de manei-. ra integrada, jamais conseguiremos atingir níveis de sustentabilidade", disse Machado.

De acordo com o embaixador, o mundo atravessa uma época de crise internacional e os atuais modelos de desenvolvimento demonstram uma erosão na capacidade de dar respostas aos novos desafios: "Os modelos atuais produzem crises em todos os pilares do desenvolvimento sustentável: a crise climática, a perda acelerada da biodiversidade, a degradação social e a crise energética demonstram isso. Estamos fazendo, algo errado".

Na época da Eco-92, segundo Machado, os países desenvolvidos acreditavam que haviam resolvido suas questões econômicas e sociais e dirigiam o foco das discussões para os temas exclusivamente ambientais. Enquanto isso, os países em desenvolvimento tinham o foco no desenvolvimento econômico apoiado no contexto da sustentabilidade.

"Vinte anos depois, os países desenvolvidos estão lidando com uma profunda crise econômica e social, enquanto os países como O Brasil são líderes na área em tecnologias verdes, em investimentos em energia limpa e avançaram na inclusão social", disse.

Nesse novo contexto, segundo ele, a Rio+20 não tem mais uma agenda que olha o econômico, o ambiental e o social separadamente. Por isso, a comissão brasileira da conferência usa o termo "economia verde inclusiva", à fim de remeter ao trinômio "crescimento", "inclusão social" e "proteção da natureza", (da Agência Fapesp)