Notícia

Jornal do Brasil

Rio vai liderar o estudo de bactéria

Publicado em 17 julho 2000

O Estado do Rio está se equipando para seguir a trilha de São Paulo na área da pesquisa genômica. Inspirados no modelo paulista, que resultou no seqüenciamento do genoma da bactéria Xylella fastidiosa, núcleos de estudos fluminenses vão liderar a pesquisa do genoma da bactéria Gluconacetobacter diazotrophicus. Responsável por fixar nitrogênio na cana-de-açúcar, a bactéria é alvo da iniciativa que envolve a criação de uma rede de centros seqüenciadores no estado. Á primeira fase da pesquisa, que custou R$ 800 mil, inclui dois seqüenciadores automáticos já instalados na Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) e na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). No ano que vem, mais três seqüenciadores serão instalados no Instituto de Biofísica da UFRJ. Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) e no laboratório da Embrapa Solos. "Até o fim do ano que vem o estado investirá mais R$ 1,2 milhão no projeto", adianta o secretário estadual de Ciência e Tecnologia, Wanderley de Souza. Os recursos serão repassados através da Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj). RECURSO Identificada pela equipe da engenheira agrônoma Johanna Dobereiner, da Embrapa Agrobiologia, em Seropédica, a Gluconacetobacter diazotrophicus é o principal recurso natural para a lavoura canavieira fluminense. Presente da raiz às folhas da cana-de-açúcar, o microorganismo se alimenta de moléculas de carbono e fornece nitrogênio, utilizado pelo vegetal em seu metabolismo. "Com a bactéria, podemos dispensar o uso de fertilizantes químicos, que são arrastados pela chuva até os lençóis freáticos", explica o engenheiro agrônomo Ivo Baldani, da Embrapa Agrobiologia. Com a obtenção do genoma do microorganismo, os pesquisadores esperam fazer com que ele supra toda a necessidade de nitrogênio da cana. "Ao contrário da Xylella, essa bactéria tem uma fisiologia bastante conhecida, o que facilitará a aplicação do conhecimento genômico", diz o secretário estadual de Ciência e Tecnologia. "Esperamos conhecer os mecanismos biológicos e de infecção da bactéria para torná-la mais eficiente", completa o engenheiro agrônomo Gonçalo Apolinário de Souza Filho, da Uenf. Segundo Paulo Ferreira, coordenador da pesquisa, uma das possibilidades de melhoramento da bactéria é a manipulação genética. Outras aplicações do conhecimento do genoma poderão ser obtidas em colaboração com o Projeto Genoma da Cana, liderado por São Paulo. "Com os dois genomas, entenderemos como a interação da bactéria e do vegetal acontece", diz Paulo. Pesquisadores - Financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (Fapesp), o projeto de seqüenciamento da cana-de-açúcar também conta com a colaboração da Uenf. À universidade cabe o seqüenciamento de 4 mil dos 50 mil genes do vegetal. Os pesquisadores já colocaram em ordem 60% do fragmento e devem concluir o trabalho em dezembro. Depois, a função de cada gene será estudada pela Uenf e UFRJ. O primeiro passo para o seqüenciamento da bactéria será dado no fim do mês, com a assinatura de um convênio entre as secretarias estaduais de Ciência e Tecnologia do Rio e de São Paulo. Wanderley pretende, ainda, assinar convênios com o Paraná e Brasília (G.L.)