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O Tempo

Rio de Janeiro entra na era pós-genômica

Publicado em 26 novembro 2000

RIO DE JANEIRO - O Rio de Janeiro entrou na chamada era pós-genômica, cujo objetivo é não apenas identificar genes, mas, sim, conhecer sua função. Já está sendo usado, na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o primeiro biochip do Estado. O pequeno chip de DNA está permitindo aos cientistas descobrir as funções dos genes do protozoário Trypanosomacruzi, agente causador da doença de Chagas, que atinge cerca de 20 milhões de pessoas na América Latina, e ainda não tem cura nem uma vacina preventiva. "Estamos reproduzindo, em laboratório, as células infectadas do barbeiro, hospedeiro que transmite a doença ao homem. Uma vez inseridas na lâmina do chip, conseguimos identificar as proteínas e os grupos de genes envolvidos na virulência. Ou seja, passamos a ter uma idéia sobre quais genes são importantes para o surgimento da infecção em seres humanos", disse Samuel Goldenberg, da Fiocruz, que lidera o projeto do biochip, resultado de uma parceria entre a fundação e as universidades do Paraná e Mogi das Cruzes, em São Paulo. O objetivo do projeto é, num futuro, desenvolver drogas e até vacinas contra a doença de Chagas. A curto prazo, o método também permitirá que cientistas realizem um diagnóstico precoce da doença, identificando no ser humano os genes do protozoário Tripanossoma. "O modelo do chip pode ser usado para controlar e curar outras doenças causadas por protozoários, como a malária", disse Samuel Goldenberg. O biochip é um arranjo de trechos ampliados de genes projetados numa pequena lâmina que, ao ser examinado num microscópio com lente a laser, permite comparar e analisar diversos grupos dos genes. Pode-se conhecer quais conferem resistências a determinadas drogas ou são mais suscetíveis a mutações. (AG) DOENÇA DE CHAGAS Conheça um pouco sobre a enfermidade O QUE É Enfermidade infecciosa e parasitária provocada pelo protozoário Trypanossoma cruzi. É transmitida pelo inseto Triatoma infestans, conhecido por barbeiro TRANSMISSÃO - Ao picar uma pessoa infectada pelo parasita, o barbeiro torna-se portador dos tripanossomos, que se reproduzem. Ao picar outro indivíduo sadio, o inseto defeca e elimina suas fezes contaminadas - A vítima, ao coçar o local da picada, espalha as fezes mosquito sobre o ferimento CONSEQÜÊNCIA - Na primeira etapa, chamada de fase aguda, não há manifestação de sintomas na maioria dos casos - Quando ocorrem, a vitima apresenta forte reação local à picada e febre alta - Se não for diagnosticada na fase aguda, quando ainda tem cura, a doença evolui para a "forma crônica - Os tripanossomos Instalam-se nos músculos humanos, especialmente no coração, causando insuficiência e arritmia cardíaca, mas também pode atingir o sistema digestivo