Notícia

Gazeta de Limeira

Ribeirão do Pinhal: Patrimônio Hídrico de Limeira?

Publicado em 03 agosto 2002

A água é o líquido por excelência, essencial para a vida. Das reservas mundiais desse líquido, grande parte está no terriório brasileira Os rios, córregos, arroios e lagos naturais e artificiais fazem parte do cotidiano do brasileira Tal abundância é motivo de cobiça e mesmo inveja de muitas nações, desprovidas desse dom de Deus. Contudo, apesar disso, em várias partes do território brasileiro, notadamente nas regiões mais evoluídas do estado de São Paulo, a degradação da qualidade das águas e o seu uso intenso e indiscriminado, vem evidenciando uma situação muito preocupante. Vários fatores contribuem para tal degradação como o lançamento de esgotos domésticos e industriais nos corpos d'água; utilização de fossas negras, que acabam por contaminar o lençol freático; maneio agrícola inadequado, gerando erosão do solo e assoreamento de mananciais; etc. Além desses, relacionados com o saneamento básico o abastecimento de água para as aglomerações urbanas e paia as atividades agrícolas ficara seriamente comprometido pela ocupação predatória de territórios inseridos nas bacias hidrográficas dos mananciais de abastecimento, em conseqüência do desmatamento, movimentação de terra, ocupação indevida do sob, entre outros. O município de limeira, localizado no segundo maior pólo industrial de São Paulo dispõe de uma ampla rede hidrográfica, com coca de 610Km de extensão, englobando as bacias dos Ribeirões do Pinhal, Tatu, Geada, Lagoa Nova, Bernardinho e Corredeira, todos pertencentes à bacia hidrográfica do Rio Piracicaba. O mais conhecido, por cruzar a parte central da cidade e pela péssima qualidade de sua água, que salta à vista dos limeirenses; é o Ribeirão Tatu, ocupando uma área de 198 km2 e 40 km de extensão, sendo o total de sua rede hidrográfica de aproximadamente 175km. Tal ribeirão recebe os esgotos da cidade, cujo sistema de tratamento ainda é insuficiente, sendo responsável por grande parte da poluição do Rio Piracicaba no trecho jusante a limeira. Tal situação já está em processo de reversão, devido ao pro-jeto prioritário da concessionária Águas de Limeira S/A, que deverá até 2004 fflfa1* praticamente todo o esgoto da cidade. Todavia, sob o aspecto água para a alimentação e abastecimento público a bacia hidrográfica mais importante e a do ribeirão do Pinhal, isto porque é o manancial alternativo para o abastecimento da cidade. A captação de água em Limeira é feita na foz do Pinhal com o Jaguari. O sistema de captação administrado pela concessionária, permite captar o líquido tanto de um como o outro curso d'água, ou de ambos. Por várias vezes, quando a qualidade da água do Jaguari é muito precária, a captação é feita exclusivamente no Ribeirão do Pinhal, isto porque a qualidade dela é boa. A bacia do Ribeirão do Pinhal localiza-se no lado direito da Rodovia SP330-Anhanguera, sentido no Rio Jaguari, logo a montante da confluência como Atibaia, formando o Rio Piracicaba. Praticamente toda a bacia do Pinhal localiza-se no município de Limeira, sendo portanto um patrimônio de enorme importância para o futuro da cidade, tanto que pelo decreto municipal 222/99 foi declarada Zona de Proteção de Manancial/Área de Proteção e Recuperação de Manancial (ZPM/ APRM), com o objetivo de preservar a qualidade e a quantidade de água dessa reserva hídrica. A bacia hidrográfica do Ribeirão do Pinhal, é composta pelos afluentes Pires e Tabajara, compreende uma área de 306 km2 e uma rede de rios que soma 257 km, sendo que somente o Pinhal tem 34 km de extensão. Desses tributários, o que apresenta águas de melhor qualidade é o Ribeirão Tabajara, proporcionando vazão de estiagem ao redor de 357,2 litros por segundo, enquanto o Pires 92,0 litro/segundo. Em que pesem os diferentes usos da água desse manancial, notadamente para a irrigação de lavouras e viveiros de mudas, a sua importância para o abastecimento da cidade é enorme, em decorrência do aumento de consumo das cidades localizadas a montante da captação do Rio Jaguari, o que certamente trará para Limeira situações de deficiência de água nesse manancial, principalmente nos períodos de estiagem. Dessa forma, o Ribeirão do Pinhal é a fonte alternativa, segura e boa qualidade para o suprimento hídrico da cidade. Tal importância encarada com realidade pelos órgãos municipais e pela empresa de abastecimento de água, precisa ser compartilhada pelas forças vivas da cidade e principalmente pelos agricultores que residem ou têm propriedade nas margens dos cursos d'água, que compõem a rede de drenagem do Pinhal. O uso e a ocupação do solo é um fator primordial para garantir a qualidade e a quantidade de água desses cônegos, pois pode afetar as condições de impermeabilização e comprometer o manancial. A área da bacia é predominantemente agrícola, destacando-se o cultivo da cana-de-açúcar e de cítricos, havendo ainda pastagens. A agricultura convenientemente conduzida e implantada em conformidade com os preceitos de conservação do solo e técnicas de contenção de escoamento superficial, evita o carreamento de solo para os mananciais e assim a seu assoreamento, bem como aumenta as taxas de infiltração de águas de chuvas, abastecendo o lençol freático, responsável pela vazão dos ribeirões no período de estiagem. A construção de bacias de retenção ao longo de rodovias rurais é uma medida eficaz, já adotada pela Prefeitura de Limeira, que além de impedir o fluxo erosivo da enxurrada pelas estradas, fomenta a infiltração, recarrega o aquífero e reduz os efeitos danosos das enchentes. Outro fato importante pata a manutenção da qualidade e da quantidade de água é a mata caiar. Tal mata, localizada ao longo dos cursos d'água de uma bacia, tem dupla função, pois protege o feito contra o carreamento de materiais pela enxurrada e aumenta a infiltração. Além, disso proporciona abrigo e alimentação a animais, aves nativas e peixes, sendo fundamental para a manutenção da qualidade de vida. A legislação brasileira erigida neste aspecto, estabelecendo faixas de matas em função da largura do corpo d'água. Todavia, o que se observa atualmente na bacia do Pinhal é a degradação da maior parte de suas matas ciliares, o que vem aumentando o assoreamento, gerando picos de vazão de enchente mais violentos, os quais acabam por erodir as margens dos córregos. Nota-se em muitos pontos cultivos conduzido na margem do curso d'água em um total desrespeito à legislação. Muitos sitiantes argumentam que não podem restaurar, mediante o replantio, áreas com matas, pois perderiam parte significativa de suas terras produtivas. Todavia, adequadamente projetado e implantado o replantio da mata ciliar, não afeta os procedimentos agropecuários da benefícios incalculáveis para toda a comunidade. A recuperação e o replantio das matas ciliares na bacia do ribeirão do Pinhal é uma questão de sobrevivência, pois essa água é fundamental para a cidade de limeira, e no futuro será um fator decisivo na manutenção do progresso sustentável da região. Nesse particular, a Prefeitura Municipal de limeira, via Secretaria da Agricultura, Abastecimento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos, está implantando um programa original de monitora-mento das águas dos ribeirões da rede de drenagem da bacia hidrográfica da bacia do Pinhal, particularmente no que se refere a vazões de estiagem, tendo implantado 12 estações linimétricas, onde a vazão é medida quinzenalmente, permitindo assim avaliar o efeito da ocupação e uso do solo no fluxo de água, bem como estabelecer procedimentos que melhorem a racionalização do uso e da conservação da água na bacia. Enquanto a SAMA monitora a quantidade de água, o que propiciará em pouco tempo um cervo de informações hídricas e sanitárias sobre o nosso mais importante manancial. O trabalho conta também com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo e da Faculdade de Engenharia Civil da UNICAMP. Todo esse trabalho, cujos resultados serão de grande valia a preservação dos recursos hídricos dessa bacia, somente terá atingido seus objetivos se os principais participantes endossarem a causa. Tais participantes, voluntários ou não, são os agricultores que habitam e cultivam suas terras na bacia hidrográfica do Pinhal, bem como aqueles que têm chácaras de lazer. Pois se conscientizados sobre o seu papel na manutenção da qualidade de vida da própria bacia e da cidade de Limeira implantarão uma agricultura, racionalmente conduzida, adoçando práticas conservacionistas que evitam e impedem a erosão dos solos, o carreamento de material contaminados para os leitos dos rios, preservando e mantendo as matas ao longo dos mesmos, aumentando dessa forma a infiltração abastecendo o lençol freático, preservando a vida animal e vegetal. Não lançarão nem lixo e nem esgotos nos córregos. Somente um trabalho conjunto, com a efetiva participação do poder público, da iniciativa privada e da população garantirá a preservação do principal manancial hídrico de Limeira, a Prefeitura e a concessionária Águas de Limeira unidas, deram a partida. Cabe agora a sensibilização dos moradores e proprietários rurais, verdadeiros agentes da preservação desse patrimônio hídrico de limeira. Eng. Agr.; Professor Universitário; PM Limeira /SAMA/RH