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Revoltas Populares, saiba mais: Greve Geral de 1917 e Jornadas de Junho de 2013

Publicado em 12 maio 2014

Indignados face ao crescente custo de vida e às condições humilhantes da linha de produção, milhares de trabalhadores e trabalhadoras resolveram cruzar os braços. Manifestações espontâneas ganharam as ruas de São Paulo.

Sem partido nem sindicatos que os representassem, os grevistas exigiam aumento salarial, jornada de oito horas, o direito à liberdade e a uma vida digna. O movimento iniciado em São Paulo ganhou a adesão de trabalhadores do Rio de Janeiro, Porto Alegre e outras cidades.

O cenário lembra o das Jornadas de Junho de 2013, mas aconteceu em 1917, em julho, quando uma greve geral paralisou os mais importantes centros industriais do país. A greve foi iniciada pelas tecelãs do Cotonifício Crespi, no bairro da Mooca. Em nove de julho, uma tragédia deu ainda maior força ao movimento: o assassinato, pela polícia, do sapateiro Antonio Martinez. Assim como, em 2013, a violência policial provocou a adesão em massa às Jornadas de Junho, a morte de Martinez radicalizou o movimento grevista.

Operários liderados pelo anarquista Edgard Leuenroth criaram o Comitê de Defesa Proletária (CDP), que passou a organizar a greve e se encarregou de conduzir as negociações com os patrões. De certa maneira, os manifestantes que, nas Jornadas de Junho, criaram formas de enfrentamento e autoproteção contra os ataques da PM tiveram motivações semelhantes àquelas que levaram à formação dos CDPs, em 1917.

Mas, as Jornadas de Junho tiveram um desdobramento distinto do da Greve Geral: elas se fragmentaram em uma infinidade de lutas parciais, do congelamento do preço das tarifas a escolas e hospitais “padrão Fifa”. Apesar das diferenças, tanto a Greve quanto as Jornadas foram marcadas pela ausência dos sindicatos e dos partidos. Essa questão remete ao problema central das formas de organização da luta contra o capital.

O ponto central é: será que os partidos e sindicatos ainda têm algum papel histórico a cumprir? Ou será que novas formas de organização, de inspiração libertária e anarquista - como o Movimento Passe Livre (MPL) e muitos outros coletivos -, indicam o caminho que as lutas tenderão a assumir no mundo contemporâneo? Leuenroth, o líder de 1917, teria algo a nos ensinar, em 2014?

Não pretendemos oferecer uma resposta pronta, mas sim propor uma reflexão equilibrada. Ouvimos professores, intelectuais e militantes representativos das mais diversas tendências e convicções no campo da esquerda. E rendemos nossa homenagem às mulheres operárias de 1917, que tiveram um papel central no desenvolvimento de uma luta que, no caso delas, tinha um duplo significado: contra a opressão patronal e contra os preconceitos machistas da própria esquerda.

Boa leitura!

Para saber mais:

Jornadas de Junho

JAPPE, Anselm. Violência, mas para quê? São Paulo (SP) : Hedra, 2013

JUDENSNAIDER, Elena; PIAZZON, Luciana; ORTELLADO, Pablo.Vinte Centavos: A Luta Contra o Aumento, São Paulo (SP) : Veneta, 2013.

Sites:

sobre o Movimento Passe Livre (MPL) http://saopaulo.mpl.org.br visitado pela última vez em 1.12.2013

sobre os mortos e feridos durantes os protestos http://mortoseferidosnosprotestos.tk visitado pela última vez em 6.4.2014

sobre a redução da tarifa de transporte público em SP http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,haddad-e-alckmin-anunciam-reducao-de-tarifas-do-transporte-publico-em-sp,1044416,0.htm visitado pela última vez em 1.12.2013

Greve de 1917

GALVÃO, Patrícia. Parque industrial, Rio de Janeiro (RJ) : José Olympio, 2006

Hakim, A. Os operários pedem passagem! - A Geografia do operário na cidade de São Paulo (1900-1917). 2005. 147 f. Tese (Mestrado em Geografia Humana) – Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas de São Paulo, São Paulo, 2005.

LOPREATO, Christina da Silva Roquette. O espírito da revolta: a greve geral anarquista de 1917, São Paulo (SP) : Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo; Annablume, 2000.

RAGO, Luzia Margareth. Entre a história e a liberdade: Luce Fabbri e o anarquismo contemporâneo. São Paulo (SP): Universidade Estadual Paulista, 2001.

ROLNIK, Raquel. A cidade e a lei: legislação, política urbana e territórios na cidade de São Paulo. São Paulo (SP) : Studio Nobel; Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, 2003.

_________.Cada um no seu lugar São Paulo, início da industrialização :geografia do poder . São Paulo, dissertação (Mestrado), Faculdade de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo,1981.

SANTOS , Milton. Por uma economia política da cidade. São Paulo (SP): Hucitec, 1994

VASCO, Neno; CRISPIM, João. Anarquistas no sindicato – um debate entre Neno Vasco e João Crispim, Neno Vasco e João Crispim. São Paulo (SP) : Biblioteca Terra Livre & Núcleo de estudos libertários Carlo Aldegheri, 2013.