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Jornal da Unesp online

Revista 'Science' destaca projeto brasileiro sobre biodiversidade

Publicado em 15 julho 2010

Por Cínthia Leone

Na edição de 11 de junho, a revista americana Science deu destaque ao projeto Biota (Programa de Pesquisas em Caracterização, Conservação, Recuperação e Uso Sustentável da Biodiversidade do Estado de São Paulo), mantido pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). O texto é assinado pelos coordenadores do projeto, entre eles a professora Vanderlan da Silva Bolzani, do câmpus de Araraquara, e Célio Haddad, do câmpus de Rio Claro.

O artigo Biodiversity Conservation Research, Training, and Policy in São Paulo faz um breve histórico do Biota e mostra como uma pesquisa científica pode desencadear o desenvolvimento de políticas públicas e formação de recursos humanos de alto nível. O programa iniciado em 1999 permitiu a condução de 94 projetos de caráter multidisciplinar, que resultaram na descrição de cerca de 1.800 novas espécies e mais conhecimento sobre outras 12 mil.

Além de Vanderlan e Haddad, assinam o artigo os demais coordenadores do programa: Luciano Martins Verdade e Mariana Cabral de Oliveira, ambos da USP, e o coordenador geral do Biota, Carlos Alfredo Joly, da Unicamp. Participaram, ainda, os cientistas Ricardo Ribeiro Rodrigues e Jean Paul Metzger, também da USP, que juntos encabeçam o trabalho de mapeamento das áreas prioritárias para conservação da biodiversidade em São Paulo.

A professora Vanderlan coordena a área de bioprospecção por meio da rede BIOprospecTA, que desde 2002 faz um levantamento das plantas com potencial para originar novos medicamentos. “No início do programa, já havia pesquisas com química de produtos naturais, mas a equipe percebeu que era necessário criar um ramo específico para a bioprospecção, isto é, a catalogação de espécies da flora paulista”, diz ela. A iniciativa gerou três depósitos de patentes, uma delas em estágio de testes pré-clínicos como uma nova droga para o tratamento do mal de Alzheimer.

Haddad chefia a área de Ciências Biológicas do Biota. Ele concentra seus estudos na área de zoologia e ecologia, com ênfase em comportamento animal de anfíbios anuros. Seus esforços geraram a maior lista de anfíbios catalogados do estado de São Paulo.

O texto publicado na Science relata como a existência do projeto atraiu pesquisadores de diversas instituições e ajudou a formar lideranças científicas. É o caso do professor Orlando Necchi Júnior, do Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas, câmpus de São José do Rio Preto, que está à frente de uma equipe que investiga a fauna e a flora de fragmentos florestais do noroeste paulista. Outro exemplo é Maria Lucia Negreiros Fransozo, do Instituto de Biociências, câmpus de Botucatu, que realiza pesquisa sobre diversidade biológica de crustáceos do litoral do estado.

Modelo Internacional

Entre as medidas governamentais que o programa ajudou a elaborar, o artigo destaca a limitação da área de expansão da cana-de-açúcar em São Paulo. Com os estudos realizados pelas equipes do projeto, o governo estadual pôde realizar o zoneamento agroambiental para o setor sucroalcooleiro. A medida auxiliaria na proteção da mata nativa e na restauração de Áreas de Preservação Permanente (APP), o que pode viabilizar a emissão de certificação ambiental para o etanol paulista.

De acordo com a Fapesp, o sucesso do Biota tem inspirado ações semelhantes no país e no exterior e dá como exemplo a criação, em dezembro de 2009, do projeto “Dimensions of Biodiversity” (Dimensões da Biodiversidade), da National Science Foundation (NSF), dos EUA.