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Agência USP de Notícias

Revista Science destaca em artigo os 10 anos do Biota-Fapesp

Publicado em 17 junho 2010

Por Nilbberth Silva

A revista Science acaba de publicar um artigo em que destaca o programa de pesquisas Biota-Fapesp - o Instituto Virtual da Biodiversidade. O texto, veiculado no último dia 11 de junho e assinado por professores da USP, Unicamp e Unesp, informa que desde sua fundação, em 1999, o Biota financiou 94 projetos de pesquisa, catalogou 1.800 novas espécies e trouxe novas informações sobre outras 12 mil. O programa também foi usado para criar políticas públicas de preservação do meio ambiente em São Paulo e serviu de exemplo para outros estados.

O Biota financia pesquisas com foco em caracterização, conservação e uso sustentável das espécies do Estado de São Paulo. Trata-se de um programa transdisciplinar, explica um dos professores que assinam o artigo, Jean Paul Metzger, do Instituto de Biociências IB da USP. Ele abrange desde identificação de espécies até pesquisa mais aplicada, como uso de produtos químicos extraídos delas. Os resultados alimentam um banco de dados online chamado SinBiota, aberto a todos os pesquisadores interessados.

Políticas públicas

Entre 2006 e 2008, informações de 9.405 espécies e 92 mil fragmentos de vegetação nativa do estado obtidas pelo Biota foram sintetizadas e passaram a balizar políticas públicas nas áreas de meio ambiente e agropecuária em São Paulo. Os cientistas criaram dois mapas de áreas prioritárias para a conservação e restauração da biodiversidade, além de dados e diretrizes detalhados sobre o assunto. Como resultado, há quatro decretos do governo do estado e 11 resoluções da Secretaria Estadual de Meio Ambiente SMA que citam as diretrizes do programa. Antes dos dados serem sintetizados, a maioria das decisões era baseada em dados sem o devido respaldo científico.

Exemplo é uma resolução conjunta entre a SMA e a Secretaria de Agricultura que proíbe expansão do cultivo de cana-de-açúcar para regiões indicadas pelos cientistas como prioritárias para conservação e restauração. A SMA também estabeleceu que a compensação de áreas desmatadas pela agricultura deve ser proporcional ao grau de prioridade que os pesquisadores atribuíram à região. A prioridade foi classificada de 0 a 8 , explica Metzger. Assim, se alguém desmatar legalmente uma área de grau 6, deve reflorestar uma área seis vezes maior. Programa-exemplo O artigo também destaca que o Biota-Fapesp serviu de exemplo para outras regiões. Assim, mapas mostrando áreas prioritárias para a restauração foram produzidos para toda a região originalmente coberta pela Mata Atlântica, que perpassa 17 estados brasileiros. Nos Estados Unidos, a Fundação Nacional de Ciência lançou recentemente o programa Dimensões da Biodiversidade.

Os estados da Bahia, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul iniciaram programas baseados nas diretrizes do Biota e financiado por agências de custeio estaduais. E o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico Cnpq está planejando uma iniciativa parecida. No final do artigo, os pesquisadores avaliam que o programa falhou em não estudar São Paulo bem o bastante para estabelecer áreas prioritárias em todas as bacias hidrográficas do estado. Além disso, os ecossistemas marinhos não foram pesquisados com a mesma profundidade que os continentais, a distribuição de espécies invasoras não foi mapeada e o programa não conseguiu traduzir os avanços científicos em material de ensino para ensino médio e fundamental. Segundo o artigo, corrigir as falhas é prioridades nos planos do projeto para os próximos dez anos.