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Revista DBO: Central Bela Vista inaugura laboratório de qualidade e certificação da carne bovina

Publicado em 25 fevereiro 2008

A maciez é o alvo.

Já está funcionando, em Pardinho, SP, o laboratório de qualidade e certificação da carne da Central Bela Vista. Propriedade do empresário Jovelino Carvalho Mineiro Filho, a central investiu R$ 180 mil na instalação do laboratório, que neste primeiro momento fará análises físicas da carne, especialmente no que diz respeito à maciez.

O local está sob o comando de Luís Artur Loyola Chardulo, professor do Instituto de Biociências da Unesp de Botucatu, que destaca a necessidade de se trabalhar geneticamente a seleção de gado Nelore, base do rebanho nacional, para que o Brasil possa tirar proveito não só da condição de maior exportador mundial de carne bovina, mas também possa usufruir de uma melhor remuneração pelo produto, hoje ainda um dos mais baratos do mercado. Para ele, a qualidade inferior da carne brasileira explica por que os argentinos, por exemplo, recebem três vezes mais por seu produto. "É basicamente por causa da maciez da carne", diz o professor da Unesp.

O laboratório da Bela Vista vai funcionar como ponto de apoio para o projeto Genoma do Boi, iniciativa que a central tem junto com a Fapesp — Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo — e que desde 2003 vem mapeando os genes do gado zebu, de forma a identificar aqueles de maior interesse econômico. Segundo Luiz Roberto Furlan, também professor da Unesp Botucatu e responsável pelo projeto, já foram identificados 22.000 genes, sendo 300 deles considerados marcadores moleculares, ou seja, diferenciais que permitem associar qualidades ligadas a precocidade e qualidade da carne e transmitidas por touros e vacas à sua progênie.

O trabalho de avaliação da maciez da carne terá início com o abate de 3.000 garrotes, netos de 300 reprodutores Nelore devidamente genotipados. O processo de produção desses animais ainda está em andamento e a previsão de que os primeiros lotes irão ao frigorífico no final de 2008 ou início de 2009. Após o abate, a carne será avaliada no laboratório, para validação dos marcadores moleculares ligados à maciez. "Com essa ferramenta em mãos, será possível saber se a carne de um animal é macia antes mesmo do abate", explica Furlan.