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Revista da Academia de Ciência dos EUA destaca técnica genomica de brasileiros

Publicado em 09 outubro 2001

Rafael Garcia - escreve para a "Folha de SP": Uma técnica para rastrear genes desenvolvida por pesquisadores brasileiros do Projeto Genoma Humano do Câncer teve sua eficiência reconhecida por cientistas norte-americanos. O método Orestes (Open Reading Frames EST Sequences) já ajudou cientistas o programa a encontrar 700 mil seqüências de DNA, cerca de um quarto das depositadas no GenBank, o banco de dados internacional do genoma humano. A técnica brasileira foi apresentada 'a comunidade científica internacional num artigo publicado hoje na "PNAS", a revista da Academia Nacional de Ciências dos EUA (www.pnas.org ), considerada uma das mais importantes do mundo. Para sair na "PNAS", um artigo precisa passar pelo crivo de um grupo de especialistas. A inovação introduzida pelo Orestes para garimpar genes no meio do caos de DNA do genoma é procurar seqüências no centro dos genes. Outros métodos buscam as seqüências de DNA que atuam como "sinalizadores" no inicio e no fim de cada gene. A força do Orestes é que uma alta proporção dos sinais de seqüência usados para identificar o gene "está em regiões de codificação das transcrições", escreve o cientista Robert Strausberg, do Instituto Nacional do Câncer dos EUA, ao comentar o trabalho. Na pratica, o método brasileiro se mostrou mais eficiente para encontrar genes raros, aqueles pouco "usados" pelo organismo, alem de dar pistas sobre a função do gene já na sua identificação. "A maioria dos genes é expressa poucas vezes, e o Orestes encontrou muitos que ainda não eram conhecidos", diz o biólogo Sandro de Souza, do Instituto Ludwig de Pesquisa sobre o Câncer de SP, um dos autores do artigo publicado hoje na "PNAS". Segundo Souza, a importância da técnica brasileira é que ela atua também como um complemento ao método convencional, o EST (Expressed Sequence Tags). As seqüências de genes encontradas pelo Orestes estavam em 24 tipos de células diferentes, tumorais ou normais, grande parte extraída de tecidos de mamas. (Folha de SP, 9/10) JC E-Mail