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Correio Popular

Revista científica, instrumento pedagógico

Publicado em 31 julho 2002

Por Glauco Cortez - Especial para o Correio
O presidente da Fundação de Ampara à Pesquisa do Estado São Paulo (Fapesp), Carlos Vogt, afirmou ontem, em Campinas, que a revista cientifica podem ser um instrumento pedagógico porque têm um componente lúdico, de brincadeira, que atrai muito os jovens. A afirmação foi feita por Vogt durante sua conferência no 1° Seminário Nacional O Professor e a Leitura do Jornal organizado pelo Departamento de Educação da Rede Anhanguera de Comunicação (RAC) - publicadora dos jornais Correio Popular e Diário do Povo, mantenedora do portal Cosmo On Line e da Agência Anhanguera de Notícias (AAN). O evento, realizado em parceria com a Cooperativa Educacional Acorde, Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e Prefeitura de Campinas, começou na segunda-feira e termina hoje, com a conferência do professor da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo, Mário Sérgio Cortella, que acontece às 9 h. Durante a conferência ontem, o professor Vogt fez um panorama da divulgação científica no Brasil e retomou aspectos históricos. Um dos nomes mais importantes da divulgação no Brasil é o do pesquisador e jornalista José Reis, que morreu recentemente. Reis foi fundador da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e editor da revista Ciência e Cultura, que é o órgão oficial da entidade até hoje. A revista, que também foi criada por José Reis em 1949, é trimestral e tem tiragem de 20 mil exemplares. Outro marco importante da divulgação científica brasileira foi a criação da revista Ciência Hoje, em 1982. "Atualmente há várias revistas de divulgação científica, o que comprova o interesse da sociedade", disse Vogt. Recentemente, a Fapesp também lançou sua revista de divulgação científica, a Pesquisa Fapesp. O Laboratório de Estudos Avançados de Jornalismo (Labjor) dá Unicamp também criou, desde 1999, uma revista científica eletrônica, a Com Ciência, com acesso livre pela Internet. Segundo Vogt, o site da revista recebe cerca de 100 mil visitas por mês. "Muitos dos nossos leitores são estudantes e professores secundaristas", disse. MESA-REDONDA Na seqüência do evento, foi realizada a mesa-redonda "O jornal e a escola: programas e projetos", com a participação da coordenadora do Departamento de Educação da RAC, Cecília Pavani; da coordenadora do Comitê de Leitura e Circulação da Associação Nacional dos Jornais (ANJ), Aparecida Borelli, e da professora Ângela Kleiman, do Instituto de Estudos da Linguagem (IEL), da Unicamp. Cecília Pavani afirmou que todo o projeto de utilização do jornal na sala de aula deve priorizar o professor, já que ele é o grande agitador cultural. "Quando o jornal entra na escola, ela deixa de ser a única fonte de conhecimento para o aluno. Ela se transforma em um meio para que o aluno seja capaz de descobrir novas formas de conhecer", disse. A coordenadora do Departamento de Educação da RAC também lembrou uma das conquistas mais recentes do Projeto Correio Escola, que foi o reconhecimento do Curso de Extensão Cultural para professores pela Secretaria de Educação do Estado de São Paulo. A representante da ANJ, Aparecida Borelli, ressaltou que a entidade, que tem 123 jornais associados, mantém há 22 anos o programa Jornal na Educação. "Nosso maior objetivo é proporcionar ao estudante o conhecimento do jornal como um meio de aperfeiçoar o hábito de leitura". Para ela, a oportunidade de conhecer o jornal facilita o entendimento da realidade e faz com que os estudantes cresçam como cidadão. A professora Angela Kleiman também reforçou a importância do ensino da leitura com o uso do jornal. "Os textos da imprensa podem ser a base de projetos interdisciplinares, porque retratam diferentes tipos de discurso, por exemplo, do cotidiano, cientifico, de mercado etc." disse. Além disso, há uma variedade de recursos gráficos que facilitam o aprendizado do aluno. "Os textos sempre vem acompanhados de mapas, tabelas, gráficos e fotografias", ressaltou. RÁDIO, INTERNET E TV TAMBÉM PODEM SER ARMAS. Televisão, Rádio e Internet também foram temas de discussão ontem no 1° Seminário Nacional O Professor e a Leitura de Jornal. Na mesa-redonda "Mídia e Educação", realizada ontem à tarde, as professoras Maria Inês Ghilardi Lucena, da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Campinas; a professora da Faculdade de Educação da Unicamp, Maria Teresa Egler Montoan, e a diretora da Rádio Educativa de Campinas, Ivete Cardoso Roldão, procuraram mostrar que essas mídias também poder servir como instrumentos pedagógicos. Segundo Maria Inês Ghilardi, há vários estudos que mostram os malefícios da programação da televisão sobre as crianças. No entanto, a professora diz que não adianta fazer de conta que essa mídia não está presente na vida dos alunos. "O professor é que deve refletir para saber como usar a programação que os estudantes vêem", disse. Ivete Roldão disse que o fato de as empresas de radiodifusão do Brasil estar na mão de políticos ou grupos ligados a políticos - e com um caráter eminentemente privado - impede que se desenvolva programação de melhor qualidade. A professora Maria Teresa, da Unicamp, afirmou que a Internet pode mudar o modelo educacional presente atual-mente na escola, apesar de ainda ser um instrumento caro para escolas, inclusive porque elas não têm linhas telefônicas disponíveis. "Mas a Internet enseja uma nova escola, em que o aluno seja visto como cidadão". (GC).