Notícia

Roger Costa História

Revisão do mapa das capitanias hereditárias

Publicado em 06 março 2017

Há décadas, talvez há mais de um século, o mapa que consta nos livros didáticos de História dos cursos de Ensino Fundamental e Médio é este [(à direita)], como você deve se lembrar – ou está cansado de ver, se também for professor da disciplina.

No entanto, este mapa vem sendo contestado por estudiosos da Cartografia histórica e da Geografia do Brasil. Dentre estes está o professor Jorge Pimentel Cintra, professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) especializado em cartografia histórica. Em entrevista à Revista Pesquisa, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, o professor Cintra comenta que as fontes do período em que o sistema de capitanias vigorou, isto é, as cartas de doação e forais do rei D. João V aos capitães donatários (em particular o mapa de Bartolomeu Jorge Velho) e a cartografia da época não descrevem apenas linhas paralelas horizontais como delimitação das dimensões geográficas, mas também verticais e até diagonais.

[À esquerda] temos a versão mais antiga do mapa das capitanias, elaborada pelo cartógrafo Luís Teixeira em 1574, na qual está representada a América portuguesa demarcada pela linha de Tordesilhas, deslocada dez graus mais a oeste, e as capitanias. O mapa faz parte da obra Roteiro de todos os sinais, conhecimentos, fundos, baixos, alturas, e derrotas que há na costa do Brasil desde o cabo de Santo Agostinho até ao estreito de Fernão de Magalhães, atualmente encontra-se na Biblioteca Nacional da Ajuda, em Lisboa.

[O mapa abaixo] é um recente análise do cartógrafo que contesta a historiografia tradicional quanto à real configuração das capitanias hereditárias da América Portuguesa quando foram criadas na primeira metade do século XVI, apontando-se alguns problemas de representação e propondo um novo desenho a partir das referidas fontes primárias.

As principais alterações propostas referem-se às fronteiras das capitanias do norte, que devem correr segundo meridianos (verticais) e não segundo paralelos (horizontais); à particular configuração das capitanias do sul, com linhas dirigindo-se a noroeste; à divisão em quinhões das capitanias de Aires da Cunha e de João de Barros e também à existência de terras não distribuídas – as quais não constam em boa parte da historiografia tradicional.

Distribuídas há 480 anos, as capitanias hereditárias devem ganhar nova configuração nos livros didáticos de História nos próximos anos e edições. Isso se a academia referendar a inovadora tese do engenheiro e cartógrafo, abrindo mão das informações tradicionais que já fazem parte do imaginário brasileiro quanto ao período colonial.

Referências

Entrevista com Jorge Cintra à Revista Pesquisa (FAPESP).

VICENTINO, Cláudio e DORIGO, Gianpaolo. História Geral e do Brasil: ATLASVol. Único. 1 Ed. São Paulo, Ed. Scipione, 2010.