Notícia

Gazeta Mercantil

Revap produz diesel 'ecológico'

Publicado em 22 janeiro 1996

Por Virgínia Silveira - de São José dos Campos
A Refinaria Henrique Lage (Revap), em São José dos Campos, começou a fornecer para as montadoras de veículos, em dezembro do ano passado, um novo tipo de óleo diesel, com baixo teor de enxofre (0,05% em peso), que passará a ser comercializado no País no ano 2000, segundo determinação da legislação ambiental brasileira. A General Motors do Brasil foi a primeira montadora a testar esse novo tipo de óleo diesel nos motores que estão sendo desenvolvidos para atender à legislação ambiental. Numa primeira fase, segundo o superintendente em exercício da Revap, Luiz Eduardo Valente Moreira, foram produzidos cerca de mil metros cúbicos do diesel padrão fase IV, como é conhecido dentro da refinaria. A General Motors, que importava o produto anteriormente para a realização dos testes dos novos motores, recebeu um lote inicial de 50 metros cúbicos. Outras montadoras, como a Mercedes-Benz, segundo Moreira, também já demonstraram interesse pelo novo óleo diesel, usado, por enquanto, para! fazer a regulagem dos novos motores. A escolha da Revap para produzir o óleo diesel padrão se deveu ao fato de ser uma das três refinarias do País que possuem unidades de hidrotratamento e também por estar mais próxima das montadoras de veículos e do principal centro consumidor brasileiro. Para iniciar a produção do óleo diesel com baixo teor de enxofre, no entanto, a refinaria precisou fazer um investimento de US$ 1,3 milhão na troca de catalizadores da unidade de hidrotratamento. O superintendente da Revap acredita que até o ano 2000 a demanda por este novo tipo de óleo diesel seja da ordem de 300 mil metros cúbicos por mês, embora muitas entidades ambientais já desejem que a comercialização do novo produto aconteça já em 1998. Atualmente, o limite de teor de enxofre no diesel permitido pela legislação é de 1%, mas a Revap, segundo Moreira, produz diesel com teor de 0,5%. A partir de outubro deste ano, porém, a lei determina que o diesel consumido nas regiões de São Paulo, Cubatão, Santos, Salvador e Aracaju tenha apenas 0,3% em peso de enxofre. Essa restrição será estendida para as cidades de Porto Alegre, Curitiba, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife, Fortaleza, Belém, Campinas e São José dos Campos em outubro de 1997. A adaptação para 0,3%, segundo o superintendente da Revap, será mais fácil uma vez que a refinaria já está capacitada para a produção do diesel com 0,05% de enxofre, também chamado de "diesel ecológico", por permitir uma queima mais adequada, emitindo* menos fumaça preta. A produção do diesel ecológico, de acordo com Moreira, será destinada basicamente ao mercado onde a Revap já atua com a distribuição de seus produtos: Vale do Paraíba, litoral norte de São Paulo, Sul de Minas, São Paulo capital, interior do Estado e região Centro Oeste. Só o Estado de São Paulo, segundo o superintendente, absorve 50% da demanda de derivados de petróleo do País. A Revap tem uma produção diária da, ordem de 34 mil metros cúbicos por dia de derivados, o que representa 15% do consumo nacional. O carro chefe da refinaria é a produção de diesel. "São 10 mil metros cúbicos por dia, o equivalente a 45% do mercado nacional e 85% do consumo estadual", disse. A Revap também é a maior abastecedora de querosene de aviação do País. A produção mensal da refinaria é de 120 mil metros cúbicos e abastece os aeroportos de São Paulo e, eventualmente o Galeão, no Rio de Janeiro. Em março deste ano, a Revap começa a operar uma nova unidade, a de MTBE (Metil Tersio Butil Éter) produto usado na oxigenação da gasolina. A Revap, de acordo com o superintendente Luiz Eduardo Moreira, investiu US$ 10 milhões na nova unidade cuja produção estará voltada para o mercado externo, principalmente a Argentina. O volume de produção previsto é de 7.700 metros cúbicos por mês.