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Reunião Regional de SP - Tecnologia contra a violência

Publicado em 17 agosto 2001

Ele falou sobre a relação entre tecnologia e violência. Adorno sustentou que um dos caminhos essenciais para interpretar a violência e combatê-la está no investimento em pesquisas e tecnologias que proporcionem ao Estado uma reforma completa e integrada do sistema jurídico, policial e penitenciário. Segundo o sociólogo, essas instituições estão desagregadas e desacreditadas nos planos técnico e humano, o que por si só encoraja o aumento da criminalidade. "No Brasil, não existem estatísticas criminais confiáveis nas instituições que deveriam abrigá-las. Para analisar homicídios, por exemplo, somos obrigados a consultar o sistema de saúde", denunciou. Na visão do sociólogo, o Estado perde em aparato tecnológico para os próprios criminosos. O fosso entre bandidos e mocinhos começa pelo tipo de armamento que utilizam e termina nas estratégias de ação a cada dia mais sofisticadas, especialmente entre os traficantes de drogas, que agem amparados em um sistema de informação integrado, mantendo rotas de trafico no mundo inteiro. Adorno não se restringiu, em sua analise, ao combate à violência nas suas conseqüências, iluminando razoes da criminalidade e pregando a necessidade de atacá-las. Segundo ele, as mudanças em curso no mercado mundial, as oscilações financeiras do capital volátil e seu impacto nas economias, as novas formas de produção e a deterioração das relações sociais trazem impactos devastadores 'as sociedades. Para Adorno, essas mudanças se refletem na criminalidade, que aumenta reativamente e se sofistica. "Não há duvida de que a desigualdade social induz à violência. Estudos mostram inclusive que há uma relação forte entre congestionamento populacional e criminalidade", afirmou o sociólogo. Para ele, a crise no sistema jurídico e de segurança aumenta o abismo entre ordem social e marginalidade, acrescentando que hoje o Estado não tem mais o monopólio sobre o combate à violência, o que ocasionaria descontrole sobre a situação. "As pessoas, cada vez mais, procuram à segurança privada como forma de manter a ordem". Alem da necessidade de o país adotar um modelo econômico e social baseado no investimento na produção e na geração de riqueza, o sociólogo recomenda um programa articulado de pesquisa em favor do sistemas policial e jurídico e também um plano de ação que acentue a interação entre Justiça, Policia, Estado. "Ao contrario do que se pensa, esse investimento é, sim, política social", finalizou Adorno. (Assessoria de Comunicação do MCT) JC E-Mail