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Reuters Brasil

Reunião fracassa, estudantes encerram protesto e voltam à USP

Publicado em 31 maio 2007

Por Fernanda Ezabella

São Paulo (Reuters) - Terminou sem acordo a reunião entre representantes de universidades estaduais paulistas e autoridades do governo nesta quinta-feira, depois de milhares de manifestantes tentarem chegar ao Palácio dos Bandeirantes, isolado pelo Batalhão de Choque da Polícia Militar.
O secretário de Justiça de São Paulo, Luiz Antônio Marrey, reiterou que não haverá negociações sem desocupação da reitoria da USP, ocupada por estudantes desde o dia 3 de maio.
Alunos, funcionários e professores, que saíram em passeata no início da tarde rumo ao palácio nesta quinta, foram impedidos de se aproximar da sede do governo e, após a reunião fracassada, liberaram as ruas que ocuparam por cerca de cinco horas.
"A primeira questão que discutimos foi a abertura deste aparato policial, para a manifestação conseguir chegar perto do Palácio (dos Bandeirantes), mas a resposta foi negativa", afirmou Francisco Miraglia, primeiro-vice-presidente da Associação dos Docentes da USP (Adusp), logo após o fim da reunião.
Miraglia foi um dos 15 integrantes da comissão autorizada a seguir para a sede do governo e que participou da reunião com os secretários-adjuntos da Casa Civil, Humberto Rodrigues, e da Justiça, Izaias José de Santana.
De acordo com estimativas da PM, haveria de 3.000 a 5.000 manifestantes na passeata.
Antes da chegada dos manifestantes ao local, a PM formou um cordão de isolamento no cruzamento das avenidas Morumbi e Francisco Morato, na zona sul da capital paulista, impedindo a passagem dos manifestantes, que saíram em passeata do campus da Universidade de São Paulo no início da tarde.
Os policiais usaram ao menos cinco vezes spray de pimenta para impedir o furo do bloqueio, e o trânsito na região foi interrompido.
Um estudante foi detido ao tentar passar pelo cordão de isolamento formado pelos PMs, mas libertado mais tarde. Segundo a PM, ele foi detido por não respeitar a ordem legal de contenção.
"O Palácio dos Bandeirantes por lei é uma área de segurança pública. Nós não podemos permitir manifestação naquele local, principalmente a quebra da ordem", disse o coronel da PM Alaor José Gasparoto. Segundo o coronel, mais de 400 homens participavam da operação nos arredores do Palácio dos Bandeirantes.
A manifestação ocorre no mesmo dia em que o governador José Serra (PSDB) editou uma medida eliminando, segundo o próprio governo, "os equívocos de interpretação" dos decretos que deflagraram a invasão da reitoria da USP por estudantes.
O documento foi publicado nesta quinta-feira no Diário Oficial do Estado de São Paulo, a pedido dos reitores da Unicamp, USP e Unesp e do presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).
Um dos principais motivos dos protestos são cinco decretos assinados pelo governador que feririam a autonomia universitária, segundo seus críticos. Também fazem parte das reivindicações contratação de mais professores, aumento do repasse para a educação, construção de moradia estudantil e reajuste salarial.
"Sem dúvida, foi um recuo do Serra, mas insuficiente", disse Magno de Carvalho, diretor do Sindicato dos Trabalhadores da Universidade de São Paulo (Sintusp). "Queremos a revogação dos decretos e o fim da Secretaria de Ensino Superior (criada por Serra)", acrescentou.
Os estudantes traziam faixas de protestos, exibiam livros aos policiais e entoavam: "Nós temos cadernos e não armas". Em uma das faixas estava escrito: "Quem governa por decreto é ditador".