Notícia

StartAgro

RESUMO START TRENDS – INOVAÇÃO E TECNOLOGIA - StartAgro

Publicado em 21 outubro 2021

Por Julio Ferreira

Trazemos nesta matéria algumas das principais ideias e os pontos mais importantes tradados pelos nossos debatedores no Start Trends – Inovação e Tecnologia, que aconteceu no dia 13 de outubro!

O segundo encontro do START TRENDS foi um ótimo espaço de debates, discussões e propostas sobre a Inovação e a tecnologia voltados para o agronegócio, seja pela relevância dessas inovações para a melhoria da produção agropecuária quanto pelo noticiário recente que tem revelado a importância do fomento à pesquisa e extensão. Este segundo encontro contou com um tempo maior para discussão e 6 debatedores, além do moderador prof. Mateus Mondin (ESALQ-USP).

O 1º Painel de discussões contou com a presença de José Damico (CEO da SciCrop), Douglas Zampieri (coordenador adjunto da Fapesp) e Eduardo Bernardo (diretor de P&D da Agrivalle Brasil). O foco deste painel foi discutir a importância da pesquisa e desenvolvimento de tecnologia para o setor agroindustrial e o que esperar para o futuro em termos de inovação. Os debatedores e o moderador se intercalaram destacando a importância em se investir em pesquisa tanto na inciativa privada quanto pelo poder público.

Ciência é um pilar da soberania nacional, é um ícone daqueles que de fato são independentes. Temos diversas formas de independência e, sem dúvida nenhuma, a independência cientifica e tecnológica é chave para o sucesso de uma nação.

Mateus Mondin

Com a presença do professor e pesquisador Douglas Zampieri, os debatedores puderam observar a importância do fomento governamental para pesquisas e formação da cadeia de empreendedorismo e inovação do país. José Damico contou sobre sua experiencia, junto da SciCrop, com o financiamento de pesquisa da Fapesp (através do PIPE – Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas).

Não existe investimento perdido em ciência: ele sempre vai se tornar alguma coisa. Se ele não se torna aquilo que estamos a priori – quem está dentro do laboratório sabe como as coisas mudam rapidamente – dali saem grandes outras soluções, grandes outros caminhos ou, de repente, algum outro produto que nós nem imaginávamos.

Mateus Mondin

Eduardo Bernardo destaca o investimento em pesquisas que a Agrivalle faz e sua importância para o desenvolvimento das atividades da empresa. A Agrivalle reinveste 5% de seu faturamento em pesquisa e mira na demanda do futuro para justificar esse investimento: “Estimam-se 10 bilhões de pessoas em 2030. Nós teremos que alimentar essa população e não vai ser da forma que nós temos trabalhado hoje, vamos ter que ser bastante criativos e nós já estamos trabalhando para isso”. A Agrivalle possui inúmeras patentes, um enorme banco de germoplasma e pesquisas para expandir ainda mais sua atuação e gama de produtos oferecidos.

Se nós não mudarmos a ótica e começar a investir em pesquisa, não só no agro – tem N áreas de interesse – e também não só em pesquisa para produto – pode ser para processos, ganhos, entre outros – a hora que as companhias começarem a destinar uma parte do seu dinheiro para pesquisa e inovação, pode ter certeza que muitas vezes esse investimento se multiplica em escala de 10.

Eduardo Bernardo

Douglas Zampieri conta um pouco do histórico de fomento da Fapesp à diversas iniciativas que premeiam o empreendedorismo agtech. Douglas salienta que um dos dogmas da Fapesp é, justamente, o incentivo à pesquisa, mas que a instituição também espera contribuir com a formação e capacitação dos empreendedores através do PIPE, por exemplo.

Inovação é dinâmica, não é uma coisa estática e se você fica parado você vai ser atropelado. (…) A Fapesp transforma aquilo que ela faz em solo sólido, não há nada que não seja muito bem pensado. Estão previstos – até o final do ano – programas para melhorar a empregabilidade.

Douglas Zampieri

A empregabilidade de profissionais altamente qualificados no país também foi pauta da discussão. Segundo Eduardo Bernardo, a Agrivalle contrata egressos da graduação pensando em sua especialização futura, pensando em formar bons pesquisadores que continuem expandindo o portfólio da empresa. Ele salienta a necessidade de que as empresas incorporem em seus valores que “ciência é investimento” e que se discuta inovação dentro das empresas.

Sobre os cortes recém anunciados na área de ciência pelo governo federal, Douglas Zampieri avalia que o setor privado não conseguirá suprir o investimento em ciência. O professor e pesquisador também teme a “fuga de cérebros” que se dará em decorrência da falta de investimento e a empregabilidade do profissional altamente qualificado: “Não faz parte da missão do setor privado suprir a demanda em ciência e tecnologia”.

A coisa mais perversa que pode acontecer é, quando a economia vai mal, corta-se a verba em ciência, porque isso tem um 1º reflexo imediato naquilo que está sendo produzido: os órgãos de fomento não conseguem cumprir tudo aquilo que estava em andamento. O 2º está no médio e longo prazo: você tem projetos que iriam se iniciar deixando de sem implantados. O 3º é o desanimo daquele que estava trabalhando e o êxodo de cérebros. […] Quando olhamos países desenvolvidos, como a Alemanha, nós vemos que é exatamente o contrário: eles investem bastante em ciência porque é a única saída pela qual eles podem sair de uma crise.

Douglas Zampieri

Após a pergunta de um espectador sobre o limite do avanço tecnológico, Douglas Zampieri e o moderador Mateus Mondin comentam a criação de novos postos de trabalho que são criados e outros que são fechados à medida em que se avança a tecnologia. A tecnologia está em constante aperfeiçoamento e, caso o profissional não se atualize, ele fica defasado para o mercado. Porém, destaca-se a grande importância da formação de base adequada. Segundo Douglas: “A evolução da Inteligência Artificial, a evolução do IoT, a evolução dos processadores e etc. faz com que você esteja tecnologicamente defasado quando você se forma. Entretanto, resistência dos materiais continua sendo resistência dos matérias, a termodinâmica continua sendo a termodinâmica e assim por diante. Ou seja, a base necessária para que você possa resolver problemas tem que ser muito consolidada e isso faz com que você possa se realocar em qualquer posição.”

Quer assistir o vento na íntegra? É só acessar esse link e se cadastrar no site da Strix One. Também preparamos uma playlist no nosso canal do YouTube com vários highlights do START TRENDS – Inovação e Tecnologia. Confira abaixo!

Autor:

Julio Ferreira

Relacionados