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Eco Informe

Restos de eucalipto podem virar energia

Publicado em 17 agosto 2010

Produzir combustível através de plantas já é uma realidade. O campo tem cerca de 45 toneladas de galhos e cascas de eucalipto com hectare plantado. Em vez de jogar fora esta matéria prima, pesquisadores estão transformando em álcool. O Brasil tem 4,5 milhões de hectares de eucalipto plantados o que nos dá um enorme potencial para produzir etanol.

O professor Carlos Labate, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo, apresentou estes dados no 2º Congresso Pan-Americano sobre Plantas e Bioenergia, em São Pedro - SP, informa a agência FAPESP.

Neste evento foi discutido também o potencial que o campo tem, além das cascas e galhos de eucaliptos, como milho, cana-de-açúcar, algas, soja e muitas outras fontes de biocombustível.

Marcos Buckeridge, professor do Instituto de Biologia da Universidade de São Paulo e coordenador do evento, diz que "o objetivo do encontro é reunir especialistas em diversas áreas de pesquisa sobre energia a partir de plantas, a fim de construirmos um quadro amplo das diversas questões envolvidas".

A apresentação de abertura foi feita pelo fisiologista Paul Moore, do Hawaii Agricultural Research Center (Estados Unidos), que discorreu sobre a importância e as perspectivas da cultura da cana-de-açúcar para a produção de bioenergia de maneira sustentável ao ambiente.

Moore considera a cana-de-açúcar estratégica para os Estados Unidos conseguirem cumprir as metas assumidas em 2007 de produzir 36 bilhões de galões de combustível a partir de fontes renováveis até o ano de 2022. "Para atingir esse número, a produção dos biocombustíveis terá que acelerar e bem rápido", alertou.

O Brasil é pioneiro na produção de álcool através da cana-de-açúcar, mas as usinas nem sempre produzem o combustível, mudando o produto quando o mercado é mais favorável ao açúcar. Um das sugestões tiradas neste encontro é que haja uma hibridização e surja a "cana-de-energia", que teria menores teores de água e de açúcar, com fibras mais longas e em maior quantidade. Assim haveria uma maior produtividade de álcool.

O Estado de São Paulo é responsável por dois terços da produção nacional de álcool e aqui estão sendo desenvolvidas técnicas para que haja maior eficiência dos processos para produção de biocombustível, com a utilização de menos água, menos energia gasta e sem precisar aumentar a área cultivada.

Para Steve Moose, da Universidade de Illinois - EUA, o milho também é um bom produtor de açúcares que podem ser convertidos em álcool e que nos Estados Unidos estás e estudando a melhoria genética da planta para facilitar a produção do produto.