Notícia

Jornal do Commercio (RJ)

Resistência em nível molecular

Publicado em 18 agosto 2005

PNEUMONIA - Mutação protege microrganismo de antibióticos

Duas estruturas moleculares, uma considerada normal e outra mutante. Ambas isoladas do Streptomices pneumoniae, microrganismo que causa a pneumonia principalmente em crianças - mais de 3,5 milhões de pessoas são atingidas pela moléstia todos os anos.
A divisão feita acima entre as duas cadeias moleculares revelou ainda que enquanto a normal não oferecia nenhuma resistência aos antibióticos, a segunda já tinha essa característica de proteção contra a droga. Para chegar a essas conclusões, pesquisadores da Universidade de Londres, na Inglaterra, tiveram que recorrer a uma potente ferramenta computacional.
"Sem o uso das simulações de computador em larga escala, a análise das cadeias e a reação delas diante das drogas levaria meses ou até nunca seria concluída", disse Peter Coveney, principal autor da pesquisa, em comunicado da universidade. "Com essa ferramenta, cada simulação demorou no máximo 12 horas".
A diferença entre as duas cadeias, conforme mostra o artigo publicado na "Philosophical Transactions", revista editada pela Royal Society, era absolutamente mínima, do ponto de vista molecular. Se essas simulações forem ratificadas agora por outros experimentos, um novo patamar no desenvolvimento de drogas contra doenças poderosas, que atingem milhares de pessoas no mundo todo, poderá ser atingido em breve.
Para os cientistas do Reino Unido, os resultados obtidos na análise das cadeias moleculares do organismo causador da pneumonia mostram, com mais precisão, um caminho inevitável para as chamadas ciências da vida. Segundo eles, mesmo que exista uma certa resistência dentro de alguns grupos, está claro que os computadores são cada vez mais fundamentais para chegar com mais precisão ao dado biológico que se precisa analisar.
Agência Fapesp