Notícia

Jornal do Commercio (PE)

Reservas empobrecem com menos mamíferos

Publicado em 14 setembro 2005

Estudo de professora da UFPE revela que redução do número de animais causa impacto negativo na floresta. O trabalho foi realizado pela pesquisadora no interior de São Paulo

Fragmentos de mata atlântica com redução da quantidade de mamíferos de médio e grande porte têm uma riqueza de espécies vegetais cerca de 53% menor do que as áreas com maior presença animal, revela estudo de professora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
O trabalho, realizado na mata atlântica do interior de São Paulo, comprova que conservar os remanescentes florestais sem preservar as comunidades de mamíferos de médio e grande porte pode causar alterações negativas junto às árvores.
Na opinião da autora do trabalho, Cecília Alves-Costa, que passou no último concurso para o Departamento de Botânica da UFPE, para manter a diversidade florística é preciso impedir a caça nos fragmentos de mata atlântica. Ela também sugere a ligação entre os remanescentes, por meio de corredores vegetais, para permitir o fluxo gênico entre as populações de mamíferos, ou seja, evitar problemas genéticos decorrentes do isolamento.
Entre os mamíferos que funcionam como dispersores de sementes, de médio e grande porte, estão as antas, veados, porcos-do-mato (queixadas e catetos), pacas e cotias. A pesquisadora comparou áreas com e sem o acesso de mamíferos para verificar o efeito da exclusão dos animais. Cada parcela tinha dois metros quadrados. Ao todo, foram 40 parcelas, metade telada e o restante de livre acesso aos animais.
Vinte parcelas, metade telada e o restante de livre acesso, foram instaladas em fragmentos preservados. Igual número foi implantado em uma área devastada, para efeito de comparação.

Comparação — "O teste mostrou, de maneira incontestável, que a porcentagem de mortalidade de plantas diminui com a exclusão dos animais", disse a bióloga à Agência Fapesp. Claudia quer agora verificar se os resultados obtidos pela exclusão se repetem em áreas impactadas por décadas. A hipótese inicial é que a resposta seja positiva, embora vários outros estudos ainda sejam necessários para que a conclusão apareça.
O trabalho da pesquisadora, apresentado no encontro da Associação de Biologia Tropical e Conservação (ABTC), em julho, venceu o prêmio Luis Bacardi, iniciativa que destaca os melhores trabalhos da área de biologia da conservação em áreas tropicais.