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Reserva de argila é descoberta em São Paulo

Publicado em 06 agosto 2009


IPT identifica quarta maior reserva de argila do Brasil, com 135 milhões de toneladas, suficientes para abastecer indústrias de cerâmica do oeste paulista por 85 anos.

O relatório do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) aponta a descoberta, no oeste do Estado de São Paulo, da quarta maior reserva de argila do Brasil, calculada em torno de 135 milhões de toneladas.

A quantidade é suficiente para abastecer as indústrias cerâmicas do Arranjo Produtivo Local (APL) da região por 85 anos, para fabricação de blocos, lajes e telhas. O relatório final foi entregue pelo secretário de Desenvolvimento do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, na semana passada, no município de Panorama, a 687 km da capital.

A matéria-prima encontrada tem grande espessura da camada de minério e pequena espessura da camada de solo que cobre o minério, o que a torna muito atrativa para as minas produtoras de argila para a indústria cerâmica.

Segundo a Secretaria de Desenvolvimento, a nova reserva, dividida entre dois campos localizados nos municípios de Castilho e Presidente Epitácio, poderá transformar a produção de argila em um dos principais fatores de desenvolvimento da região. Os próximos passos serão o licenciamento ambiental das áreas pela Secretaria do Meio Ambiente e a concessão dos direitos de extração pelo Departamento Nacional de Produção Mineral.

Os estudos do IPT foram financiados pela Secretaria de Desenvolvimento por meio do Programa de Apoio Tecnológico aos Municípios (Patem). Os levantamentos desenvolvidos incluíram o reconhecimento geológico das áreas de pesquisas, nos campos de Castilho e Campinal (Presidente Epitácio); a execução sistemática de sondagens; a coleta de amostras e a caracterização tridimensional dos depósitos de argila encontrados.

Foram realizados 186 furos de sondagem a trado (rotação de um dispositivo cortante) na área Castilho e outros 119 na área Campinal, além de análises granulométricas (tamanho dos grãos), ensaios cerâmicos, análises químicas e raio X. As informações coletadas foram reunidas, consolidadas e tratadas, permitindo a elaboração de mapas e do relatório final.

A região do vale do rio Paraná abriga 236 pequenas e microempresas especializadas na produção de peças de cerâmica vermelha, que geram cerca de 1,5 mil postos de trabalho. Com a construção da usina hidrelétrica Sérgio Motta e o enchimento do reservatório de Porto Primavera, as águas cobriram as jazidas de argila tradicionalmente lavradas pelos ceramistas locais, o que inviabilizou seu uso.

A partir daí, o abastecimento do APL vinha sendo feito por meio do estoque edificado em local seco pela antiga Companhia Energética de São Paulo (Cesp), mas o local está próximo à exaustão, o que coloca em risco a atividade ceramista da região atingida.

As prefeituras de Junqueirópolis, Panorama e Pauliceia recorreram à Secretaria de Desenvolvimento, por meio do Patem, para a realização de estudos que indicassem a viabilização de novos campos para produção sustentável de argila e que culminaram com o dimensionamento e a caracterização tecnológica dos dois novos campos.

A Secretaria de Desenvolvimento de São Paulo, por intermédio do Patem, financia serviços especializados do IPT para obtenção de laudos técnicos em municípios de pequeno e médio porte.

Mais informações: http://www.desenvolvimento.sp.gov.br

(Envolverde/Agência Fapesp)